
Faltava pouco menos de 10 minutos para as 10 da manhã quando avistei, de longe, o empresário Fernando Goldsztein no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre. Era o Congresso do Cérebro, e Fernando se aproximava do estúdio de vidro da Rádio Gaúcha para participar, na sequência, do Timeline, comigo e com o PG.
Sou fascinada pelo movimento que o Fernando lidera. Se você ainda não o conhece, recomendo fortemente que o faça.
O meduloblastoma é o tumor cerebral maligno mais comum em crianças, ainda que por vezes apareça em adultos
Frederico, filho do Fernando, foi diagnosticado com um tumor bastante grave no cérebro. Tinha nove anos de idade. O meduloblastoma é o tumor cerebral maligno mais comum em crianças, ainda que por vezes apareça em adultos. Meu querido amigo Daniel Scola foi um deles. Minha prima Luísa, também. No caso da Lu, vivemos a dor e o luto da perda quando o tumor tristemente apareceu pela segunda vez e já não havia mais o que pudesse ser feito.
O filho do Fernando, assim como a Luísa, ouviu aquela notícia que qualquer familiar ou paciente oncológico tem pavor de receber: recidiva. Significa, na prática, que o tumor voltou. No caso do meduloblastoma, recidiva é ainda pior. São chances baixas de cura, ainda que com um tratamento agressivo. É comum que pais e mães ouçam dos médicos que o tratamento já não faz mais efeito e, portanto, a jornada pode estar perto do fim.
Fernando não se deu por vencido. Empresário de sucesso, foi atrás da cura do filho. Passou a percorrer o mundo a fim de encontrar um tratamento novo. Quando se deu conta de que os protocolos aplicados hoje ainda são os mesmos da década de 80, resolveu fazer algo maior. Investir milhões do próprio patrimônio (a revista GQ menciona R$ 17 milhões) para que médicos e cientistas de todo o planeta possam se dedicar a estudos e testar novos tratamentos. Chamou outros empresários com ele. Conseguiu ampliar a rede e, no final do ano passado, teve início a fase de testes. Sempre me emociono quando ele diz sem nenhuma hesitação:
— Kelly, eu não digo “se a cura for descoberta”, nós vamos descobrir a cura.
O Medulloblastoma Initiative vai além da luta de um pai, o que já seria algo extraordinário por si só. Mas também nos mostra alguém disposto a usar de suas condições para construir um centro global de estudos, apoiar financeiramente a ciência e reunir esforços em uma mesma direção. É um privilégio ver essa revolução. Especialmente porque é do nosso Rio Grande um legado que ficará para a humanidade.

