
Um resort de luxo, que vale milhões, no interior do Paraná. Carona em jatinho com advogado de diretor de banco investigado. Eventos patrocinados por personagens alvo de escândalos político-financeiros. Não exige quantidade significativa de neurônios a conexão de fatos que apontam evidente suspeição no caso da relatoria do escândalo do Master no STF. Toffoli foi substituído, fato consumado. Mas vale, antes que o Carnaval termine, atentar para o que disseram os integrantes do Supremo, em reunião fechada pouco antes da decisão.
E faço um alerta: este conteúdo pode provocar raiva e indisposição social.
Comecemos por: “Eu não sei o que vocês estão discutindo. O ministro Toffoli, para mim, tem fé pública. Meu voto é a favor dele. Acabou”. A frase foi atribuída ao ministro Luiz Fux, em reportagem do site Poder360. O texto reproduz falas literais dos magistrados no encontro (a portas fechadas) para tratar de um relatório produzido pela Polícia Federal. A reprodução das frases, aliás, deixou ministros perplexos, com a certeza de que foram gravados por um de seus pares. O clima, que já era péssimo, azedou de vez.
O recado foi cristalino: ninguém no Brasil está acima da lei, exceto se usar capa
Vejamos, de novo, a frase de Fux: “Eu não sei o que vocês estão discutindo. Acabou”. Ora, nós sabemos. Inclusive porque o próprio Toffoli admitiu, em nota, ser sócio do resort comprado por um fundo ligado ao Master. E o fez somente agora, depois que a PF entregou o tal relatório de 200 páginas ao presidente do STF. Agilidade de fazer inveja às tartarugas resgatadas no litoral do Paraná, visto que ele havia assumido a relatoria em novembro de 2025.
Sigamos com outras pérolas que carecem de registro. “Para mim, isso é um nada jurídico”, desprezou Nunes Marques. “A PF fez um papel sujo”, sentenciou Alexandre de Moraes. “O juiz lá da comarca do interior passará a ser comandado pelo delegado local se aceitarmos esse tipo de situação. Acabou o Poder Judiciário do Brasil”, também Nunes Marques.
Restaram vencidos Cármen Lúcia e Edson Fachin, o presidente, que sugeriu levar o caso ao plenário na sexta-feira. O comunicado que seguiu para a imprensa veio perfumado com notas de grande acordo e o destaque para “inexistência de suspeição ou de impedimento” do afastado.
O recado foi cristalino: ninguém no Brasil está acima da lei, exceto se usar capa. Se assim for, não carece preocupação: fecha-se o círculo, protejam-se os colegas. Seria triste se fosse somente corporativismo, mas tem mais. Tem autoblindagem explícita e nenhum constrangimento. Acabou. Não sei o que vocês estão discutindo. Bom Carnaval!





