
A Polícia Civil concluiu a investigação contra o advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, suspeito de crimes sexuais em Porto Alegre.
O inquérito durou três meses e teve depoimentos de 18 mulheres que afirmam ter sido vítimas do professor e de 16 testemunhas, além de perícias, exames e provas documentais. Os casos investigados aconteceram entre 2013 e 2025.
Conrado foi indiciado por 24 vezes em que teria cometido crimes como estupro. Nessa soma, há o mesmo delito cometido contra mais de uma vítima.
O caso corre em sigilo.
Conrado chegou a ficar preso por quase um mês, em uma penitenciária de Canoas, mas foi solto no dia 21 de outubro, após determinação judicial que revogou a prisão temporária e determinou o uso de tornozeleira eletrônica. O inquérito foi remetido ao Ministério Público.
Contraponto
A defesa de Conrado Paulino da Rosa informa que tomou conhecimento, pela imprensa, da conclusão do inquérito policial que envolve seu constituinte. Embora tenham sido encaminhadas duas requisições formais à autoridade policial, nos dias 24 e 27 de novembro, e apesar da persistente ausência de resposta, foi formulado pedido judicial, com manifestação protocolada em 28 de novembro. Até o presente momento, contudo, não houve qualquer acesso ao relatório final ou às peças conclusivas da investigação.
Desde o início da apuração, a defesa vem enfrentando restrições injustificadas ao acesso a informações essenciais, comprometendo o direito constitucional de informação e o pleno exercício da defesa. Ao longo do procedimento investigatório, foram identificadas e formalmente comunicadas irregularidades significativas, tais como vazamentos seletivos e criminosos de informações, a indevida classificação de determinadas pessoas como vítimas e a ausência de diligências básicas para verificação dos relatos apresentados, entre outras circunstâncias que, na visão da defesa, contribuíram para uma equivocada classificação jurídica dos fatos.
Ainda assim, é importante reconhecer que a conclusão do inquérito inaugura, finalmente, o momento adequado para que Conrado exerça plenamente seu direito de defesa. Encerrada a fase investigativa, abre-se agora o espaço institucional próprio para demonstrar a verdade. Aliás, uma verdade que não se orienta por impressões, versões ou interesses, mas por documentos técnicos, objetivos e irrefutáveis. O acervo já apresentado em juízo, ainda que parcial, contém diálogos mantidos com grande parte das pessoas mencionadas na apuração, cujos conteúdos revelam claras inconsistências, para dizer menos, entre o que hoje se afirma e o que efetivamente ocorreu. São registros que falam por si, que não se moldam a narrativas e que evidenciam, com tranquilidade, que os fatos não aconteceram como têm sido divulgados.
Por fim, a defesa reafirma sua absoluta certeza na inocência do acusado em relação aos fatos que lhe foram imputados. Confiamos plenamente no trabalho do Poder Judiciário para a garantia do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Reitera, ainda, que atuará com responsabilidade, rigor técnico e total transparência, comprometida com o respeito a todas as pessoas envolvidas na investigação. Esse respeito, porém, convive com o dever ético de não permitir que acusações infundadas, distorções ou interesses alheios à verdade, se perpetuem no processo.
Fernanda Osorio e Neida Floriano - advogadas



