
Atende pelo nome de Felca o youtuber que publicou o vídeo de 50 minutos que “quebrou” a internet na última sexta-feira. A produção se inicia com uma tela preta, com letras brancas e vermelhas: este conteúdo aborda temas sensíveis como abuso sexual infantil, pedofilia, sexualização precoce e adultização das crianças. A peça está disponível no canal do influenciador no YouTube. Até o fechamento deste texto, eram quase 22 milhões de visualizações.
Vale lembrar: o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe exploração de imagens que violem a dignidade e a intimidade de crianças
Felca é o apelido do influenciador Felipe Bressanim Pereira, 27 anos. Natural de Londrina, começou na internet em 2012, num estilo que faz bastante sucesso nas redes: jogando videogame em lives. Depois, migrou para vídeos de humor e esquetes cômicas. Hoje, seu canal soma 5 milhões de inscritos.
Mas a razão deste texto é menos a história do Felipe e mais o tema do vídeo produzido por ele. Trata-se de assunto gravíssimo para o qual famílias e parte das instituições têm fechado os olhos. Falo da prática de exploração sexual infantil na internet. São vídeos com crianças sexualizadas, com corpo exposto, danças sensuais e até conversas explícitas sobre sexo.
Felca cita o caso de uma menina cujos vídeos eram gravados pela mãe e com conteúdo que teria sido comercializado em plataformas adultas (frequentadas por pedófilos). É de embrulhar o estômago.
Vale lembrar: o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe exploração de imagens que violem a dignidade e a intimidade de crianças. A detenção prevista é de seis meses a dois anos.
Se ainda não te choca, aqui vão dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024). Na esfera de crimes sexuais virtuais, entre eles pornografia infantojuvenil, as notificações cresceram 42,6% (jovens até 17 anos). Em 2023, foram 71,9 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil (entre vídeos e imagens) recebidas pela ONG SaferNet. Um salto de 77% sobre 2022. Gravíssimo.
Ainda assim, o assunto não aparece no radar de congressistas barulhentos, que adoram lacrar nas redes e se refestelar em emendas milionárias.
Enfrentar a rede de exploração sexual de crianças e adolescentes na internet é pra ontem. Precisamos de punições mais severas e investigações ágeis. Conteúdos aparentemente inocentes são capturados e distribuídos em redes de pedofilia, perpetuando o abuso e causando danos irreparáveis às vítimas. É essencial que a lei acompanhe a velocidade dessas práticas, garantindo não só a responsabilização exemplar dos autores, mas também a proteção efetiva das crianças.



