
Há poucos dias, a Revista Exame, especializada no noticiário de economia e negócios, publicou em uma de suas páginas lições para qualificar a estratégia de gestão de pessoas. As ideias contemplavam desde uma comunicação clara e direta, com conversas francas, até o incentivo à autonomia dos membros da equipe, com o cuidado de assumir a responsabilidade e não expor liderados. Havia, até mesmo, uma antilição: a de que confiança em excesso e desprezo por novos modelos podem ser obstáculos. Neste sentido, humildade e disposição para abraçar o novo talvez sejam melhores opções.
Faço este preâmbulo menos para assumir o papel de coach (ninguém merece outro guru de rede social), mas antes para contar sobre a figura que inspirou as lições. Trata-se de Renato Portaluppi, ex-Grêmio e hoje à frente do Fluminense.
Fato é que o desempenho do Flu no Mundial de Clubes fez Renato voltar às manchetes no Brasil e na imprensa internacional
Eu sei, colorados, é provável que vocês queiram encerrar a leitura por aqui. E não é sobre isso, mas tá tudo bem.
Fato é que o desempenho do Flu no Mundial de Clubes fez Renato voltar às manchetes no Brasil e na imprensa internacional. Escreveu Walter Casagrande: “Renato construiu um time que adquiriu uma grande personalidade coletiva, invejável”.
O jornal espanhol Sport, de Barcelona, creditou à “varinha mágica” do treinador a vitória sobre o Al-Hilal. Para o As, também espanhol, Renato foi “mestre do ritmo” ao “conduzir perfeitamente” suas substituições.
É justo dizer que não é só Renato, mas uma série de fatores que faz a campanha do clube carioca até aqui. Tem talento e entrega do elenco. Teve discurso emocionante de Thiago Silva antes da partida contra a Inter de Milão. Renato sabe disso. E exalta os seus.
Antes de encerrar, deixo a resposta do técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, ao repórter Rodrigo Oliveira, sobre os méritos do colega e uma tendência a diminuí-lo caso o Flu seja eliminado contra o Chelsea.
— O Brasil tem treinadores bons, o Renato é um deles. (Mas ele) vai perder, como eu perco. Só que quando o Renato perde três ou quatro jogos, vocês começam a cobrar e depois despedem. Ele é o especialista, como ele diz, e sabe perfeitamente o que tem de fazer.
É sobre isso. Um desempenho não ser invalidado pelas derrotas que virão. Um comando que valoriza integrantes do time e lhes dá autonomia para executar soluções. Não, Renato não é Deus (embora meu amigo Diogo Dockhorn tenha certeza de que é). Mas dizer que não é bom treinador e que não merece, um dia, chegar à Seleção é ignorar os fatos ou mesmo desprezar o futebol.




