
Nesta sexta-feira (11), Pelotas recebeu o primeiro Seminário Regional BASTA! de Violência Contra a Mulher, com participação de mais de 300 mulheres. O encontro também reuniu representantes do poder público e profissionais que atuam diretamente na rede de proteção, entre eles Marielda Medeiros, secretária de Políticas para as Mulheres, representando o gabinete do prefeito; Solange Carvalho, secretária da Mulher; a psicóloga Andrezza Silva; a assistente social Vera Lúcia Garcia; o guarda municipal Gilson de Oliveira e Giovana Bitencourt, coordenadora do movimento na Z3.
E existe um significado importante na escolha do local: o encontro acontece na Colônia Z3, uma tradicional comunidade de pescadores do município.
Levar esse debate para dentro dos territórios é fundamental. Muitas vezes, discutimos violência contra a mulher nos grandes centros, em auditórios e espaços institucionais. Mas a prevenção precisa chegar também às comunidades mais afastadas, às periferias e aos lugares onde as mulheres vivem sua realidade todos os dias.
O seminário na Z3 faz parte de uma mobilização que pretende envolver milhares de mulheres ribeirinhas, de comunidades, favelas e periferias. Pelotas abre essa caminhada colocando no centro da discussão informação, prevenção, acolhimento e fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
A violência nem sempre começa com uma agressão física. Pode começar pelo controle do dinheiro, do celular, das roupas, das amizades. Pode aparecer na humilhação, na ameaça e no isolamento. Reconhecer esses sinais antes que a violência escale é uma das formas mais importantes de prevenção.
E existe uma questão ainda mais profunda: não podemos simplesmente dizer para uma mulher denunciar sem discutir o que acontece no dia seguinte.
Se ela depende financeiramente do agressor, quem vai ajudá-la? Se tem filhos, para onde vai? Se está ameaçada, quem garante sua segurança? Se passou anos sofrendo violência psicológica, onde encontrará apoio para reconstruir sua vida?
Por isso, enfrentar a violência contra a mulher exige uma rede funcionando de verdade. Poder público, organizações sociais e comunidade precisam estar conectados para que a mulher saiba onde buscar ajuda e encontre uma resposta quando decidir romper o ciclo.
A realização do seminário dentro da Colônia Z3 também carrega uma mensagem que considero essencial: as políticas de prevenção precisam ir até as pessoas, e não esperar que as pessoas consigam chegar até elas.
É essa aproximação que pode transformar informação em proteção.

A campanha BASTA! O Rio Grande do Sul diz não à violência contra a mulher e ao feminicídio, realizada pela CUFA Rio Grande do Sul e pelo Banrisul Cultural, nasce com essa proposta de ocupar os territórios e ampliar a conversa sobre prevenção.
Pelotas é o ponto de partida dos seminários e debates.
E começar pela Z3 é afirmar que nenhuma comunidade deve estar distante demais para receber informação, acolhimento e proteção.
Porque o feminicídio é o último capítulo de uma violência que, muitas vezes, começou muito antes. Prevenir significa agir antes que esse último capítulo seja escrito.



