
O debate entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul promovido pelo Grupo RBS deu um passo importante ao colocar a favela e a periferia no centro da conversa. Mas não basta citar esses territórios ou seus problemas. É preciso a apresentação de propostas concretas.
Estamos falando de mais de três milhões de pessoas vivendo em favelas, vilas, comunidades populares e periferias no Rio Grande do Sul. Ignorar essa realidade é deixar de discutir o presente e o futuro de uma parcela significativa do Estado.
Quem pretende governar o Rio Grande do Sul precisa dizer, com clareza, quais políticas públicas pretende implementar para esses territórios, quais metas pretende cumprir e qual orçamento será destinado a elas.
A discussão não pode ficar restrita aos problemas históricos, como segurança, infraestrutura ou acesso a serviços públicos. Esses temas são fundamentais, mas a periferia também precisa ser reconhecida pelas suas potencialidades.
Há talento, criatividade, capacidade de inovação e um forte espírito empreendedor que movimenta a economia local todos os dias.
As pessoas que vivem nesses territórios querem oportunidades para empreender, gerar renda, qualificar seus negócios, acessar crédito e tecnologia, ampliar sua empregabilidade e melhorar suas condições financeiras.
Essa agenda precisa estar presente nos programas de governo de todos os quatro candidatos que disputam o Palácio Piratini.
Não se trata de criar políticas para a periferia sem ouvir a periferia. Trata-se de construir soluções com quem conhece esses territórios, fortalecer iniciativas que já funcionam e transformar experiências locais em políticas de Estado.
A eleição é uma oportunidade para elevar o nível desse debate.
Os candidatos precisam ir além dos diagnósticos e apresentar compromissos mensuráveis: quais programas serão criados ou ampliados? Quais indicadores serão acompanhados? Quanto será investido? Como esses resultados serão avaliados?
Nos próximos dias, encaminharemos aos candidatos estas perguntas e traremos neste espaço suas propostas.
A favela e a periferia não podem aparecer apenas durante a campanha eleitoral. Elas precisam ocupar, de forma permanente, a agenda pública.
Afinal, quando mais de um terço da população está nesses territórios, discutir seu desenvolvimento não é falar de uma pauta específica.
É falar do desenvolvimento e do futuro do Rio Grande do Sul.














