
O Chico 2.0 começa a chegar às plataformas digitais nesta sexta-feira, dia 21 de agosto, propondo um encontro entre diferentes gerações e linguagens da música brasileira.
A partir da obra de Chico Buarque, artistas da música urbana, do rap, funk, trap e R&B foram convidados a criar suas próprias releituras de canções que atravessaram décadas e fazem parte da história cultural do país.
MC Cabelinho, Dexter, Tasha e Tracie, Livinho e Don L estão entre os nomes confirmados. O projeto terá 10 faixas e será dividido em duas partes: a primeira chega nesta sexta-feira, enquanto a segunda está prevista para outubro.
Mais do que revisitar clássicos, a proposta é colocá-los em diálogo com o Brasil de hoje, com novas sonoridades, territórios, experiências e formas de interpretar o mundo.
O projeto reúne nomes da cena contemporânea e é resultado de uma construção que envolve Celso Athayde, Fábio Almeida e Preto Zezé, além de artistas, produtores e profissionais mobilizados para transformar a ideia em realidade.
Preto Zezé integra a direção artística do Chico 2.0 ao lado de Celso Athayde e Fábio Almeida. Convidado por Celso, participou da concepção artística, da curadoria, da escolha e dos convites aos artistas e do processo de construção do projeto.
Conversei com Zezé sobre o Chico 2.0, a diversidade da música brasileira e o significado de aproximar uma das obras mais importantes da nossa música de uma nova geração de artistas.
Zezé, o Chico 2.0 é um projeto carioca ou brasileiro?
É brasileiro. A ideia pode ter sido construída a partir de pessoas e histórias que se encontram no Rio, mas a obra do Chico pertence ao Brasil e os artistas que participam representam uma cena musical que está espalhada pelo país. O projeto só faz sentido se a gente enxergar essa dimensão nacional.
Quando falamos de música contemporânea brasileira, não podemos pensar apenas em um eixo. Temos Nordeste, Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste. Cada região tem sua potência, seus artistas e suas narrativas.
Você acha que o projeto consegue mostrar essa diversidade?
Essa é uma das intenções. A diversidade está nos artistas, nas linguagens e nas diferentes formas de interpretar Chico. Não queríamos construir um projeto em que todos soassem iguais. Queríamos mostrar diferentes Brasis encontrando uma mesma obra.
Qual foi a sua participação nessa construção?
O Celso me convidou para integrar a direção artística junto com ele e Fábio Almeida. A partir daí, participei da concepção, da curadoria, da escolha dos artistas e dos convites. Foi uma experiência muito importante porque pude contribuir não apenas como alguém que conhece a cultura urbana, mas como alguém envolvido diretamente na construção artística do projeto.
O que você aprendeu nesse processo?
Que uma obra realmente grande sempre consegue conversar com mais de uma geração. E que, quando você dá liberdade para artistas diferentes interpretarem uma obra com respeito, descobre coisas que estavam ali o tempo inteiro, mas ainda não tinham sido reveladas daquela maneira.
Se tivesse que explicar o Chico 2.0 em uma frase, qual seria?
Eu diria que é uma ponte entre a memória e o futuro da música brasileira. É Chico Buarque encontrando uma nova geração de artistas para continuar contando, cada um à sua maneira, as muitas histórias do Brasil.
Talvez esteja justamente aí a força do Chico 2.0. Não se trata de substituir uma geração pela outra, nem de modernizar Chico Buarque como se sua obra precisasse disso. Trata-se de criar pontes entre tempos e territórios.
Quando rap, funk, trap e R&B encontram Chico, dois movimentos acontecem ao mesmo tempo: uma nova geração se aproxima de um patrimônio fundamental da música brasileira e uma obra já consagrada ganha outras vozes, batidas e interpretações.
A cultura permanece viva quando consegue atravessar gerações sem perder sua história.
E o Chico 2.0 parte de uma ideia poderosa: o futuro da música brasileira também pode ser construído quando novas vozes encontram aquilo que o Brasil produziu de mais importante no passado.




