
Há quem ainda enxergue a favela apenas pelos seus desafios.
Mas basta acompanhar a trajetória de lideranças que surgem nesses territórios para perceber que a periferia também exporta talento, inovação e soluções para o mundo.
Nesta semana, a empreendedora gaúcha Gabriela Valente, moradora da Restinga, em Porto Alegre, levou essa potência até Paris.
Sua participação demonstra que as ideias que nascem nas comunidades brasileiras têm capacidade de dialogar com iniciativas internacionais e construir pontes entre diferentes realidades.
Em reunião com o Grupo Mulheres do Brasil, Núcleo Paris, Gabriela apresentou o projeto Diáspora Poderosa, uma iniciativa criada para conectar mulheres imigrantes, latinas e periféricas, fortalecendo redes de apoio, empreendedorismo, autonomia financeira e geração de oportunidades dentro da realidade de cada território.
A agenda também incluiu um café empreendedor que reuniu cerca de 15 empreendedores brasileiros e franceses. Entre os participantes estavam as duas vencedoras da Expo Favela Paris, que estiveram no Rio Grande do Sul acompanhando a Expo Favela 2025, reforçando uma conexão que cresce a cada edição do evento e aproxima ainda mais os ecossistemas de inovação das periferias brasileira e francesa.
Outro destaque foi a presença de Preto Zezé, presidente da CUFA RJ, e de Alexandra Loras, ex-cônsul da França no Brasil e uma das principais referências na promoção da diversidade e do empreendedorismo feminino.
O encontro reafirmou que investir nas mulheres é investir em desenvolvimento econômico, inclusão e transformação social.
Ver uma jovem da Restinga ocupando espaços de decisão em Paris é um símbolo poderoso. Não se trata apenas de uma viagem internacional, mas do reconhecimento de que a inovação social produzida nas periferias brasileiras tem relevância global.
Quando uma liderança da favela chega a mesas internacionais, ela não leva apenas sua história. Leva consigo a voz de milhares de mulheres empreendedoras, de jovens que acreditam em um futuro diferente e de comunidades que há décadas transformam escassez em criatividade.
A Restinga esteve em Paris e, ao que tudo indica, esse é apenas o começo de uma conexão cada vez maior entre as periferias do Brasil e o mundo.





