
Todos os dias, mulheres gaúchas enfrentam diferentes formas de violência.
Muitas vezes, essas violências acontecem dentro de casa, em silêncio, longe dos holofotes e das estatísticas oficiais.
Nas periferias e favelas do Rio Grande do Sul, a realidade costuma ser ainda mais dura, marcada pela dificuldade de acesso a serviços especializados, pela dependência econômica e pelo medo de denunciar.
Foi a partir dessa compreensão que nasceu a campanha O Rio Grande do Sul diz não à violência contra a mulher e ao feminicídio, uma mobilização que agora entra em uma nova fase, fortalecida com o apoio do Instituto Banrisul Cultural.
Além de sensibilizar a sociedade, o objetivo desta nova etapa é construir respostas concretas para uma das maiores urgências do nosso tempo: proteger mulheres e salvar vidas.
A CUFA Rio Grande do Sul está realizando a maior pesquisa já feita no estado sobre violência contra a mulher sob a perspectiva das mulheres das favelas e periferias.
Ouvindo quem vive diariamente os desafios impostos pela desigualdade, pela vulnerabilidade social e pela ausência de políticas públicas adequadas às realidades dos territórios.
Não se trata apenas de levantar números.
Os números são importantes, mas sozinhos não contam a história completa.
Buscar compreender os medos, as dificuldades e as necessidades reais dessas mulheres, é fundamental , dar visibilidade a experiências que durante muito tempo permaneceram invisíveis é necessário.
Os resultados dessa pesquisa terão desdobramentos importantes.
Será produzido um livro, registrando reflexões, dados e relatos que contribuam para o aprofundamento do debate sobre o tema.
Também será elaborada uma cartilha de orientação, com informações acessíveis sobre prevenção, acolhimento e garantia de direitos.
Mas o compromisso vai além da produção de conhecimento.
Com base nos dados levantados, serão implantadas 15 salas de atendimento comunitário, oferecendo acolhimento e encaminhamento para mulheres que necessitam de apoio.
Além disso, será disponibilizado um serviço 0800, garantindo acesso gratuito à orientação jurídica, psicológica e social.
Também estão previstas mais de 200 ações em diferentes regiões do estado, voltadas à prevenção da violência, à promoção da autonomia feminina e ao fortalecimento das redes de proteção nos territórios.
O enfrentamento à violência contra a mulher exige coragem coletiva.
Não é uma responsabilidade exclusiva do poder público e tampouco pode ser delegada às vítimas.
É uma tarefa que precisa envolver governos, empresas, organizações da sociedade civil e cada cidadão comprometido com a construção de uma sociedade mais justa.
Quando uma mulher é silenciada, toda a sociedade perde.
Quando uma mulher encontra acolhimento, proteção e oportunidades para reconstruir sua vida, todos avançamos.
As favelas e periferias têm mostrado, historicamente, uma enorme capacidade de organização e solidariedade.
São nesses territórios que surgem lideranças comunitárias, projetos sociais e redes de apoio que fazem a diferença onde muitas vezes o Estado não consegue chegar.
Valorizar essas iniciativas e fortalecer quem já está na ponta é um passo importante para transformar essa realidade.
Dizer não à violência contra a mulher e ao feminicídio é mais do que um slogan.
É assumir um compromisso diário com a vida, com a dignidade e com o direito de todas as mulheres viverem sem medo.
Que esta nova fase da campanha seja, acima de tudo, um convite à ação.
Nenhuma mulher deve caminhar sozinha.
O Rio Grande do Sul que queremos construir é aquele onde respeito, proteção e igualdade não sejam exceções, mas sim, direitos garantidos a todas.






