
Você já parou para pensar no que aconteceu depois do 13 de maio?
Enquanto a data marca a assinatura da Lei Áurea e costuma ser lembrada como símbolo do fim oficial da escravidão no Brasil, o 14 de maio carrega um significado que muitas vezes passa em silêncio.
Ele representa o abandono, a ausência de políticas públicas e a falta de reparação histórica destinada à população negra após séculos de exploração.
Essa reflexão segue necessária porque seus efeitos continuam presentes. Eles aparecem nas desigualdades que persistem, no racismo estrutural que ainda organiza oportunidades e exclusões, e na distância que existe entre liberdade formal e justiça concreta.
É para olhar de frente essa liberdade incompleta que em Montenegro é realizado há mais de 11 anos, o seminário “14 de Maio, O Dia Seguinte. E Agora?”. O encontro se consolidou como um importante movimento cultural de reflexão, escuta e construção coletiva.
Existe algo poderoso quando uma cidade decide encarar perguntas que o país, por muito tempo, preferiu não responder. O Brasil aboliu a escravidão no papel, mas não construiu caminhos reais de inclusão para quem saiu dela sem terra, sem acesso e sem qualquer compromisso institucional de reparação.
O resultado dessa omissão histórica atravessa gerações. Ele está nas barreiras de acesso à educação, à renda, à cultura e aos espaços de decisão. Está também na forma como o racismo insiste em limitar trajetórias e definir quem pode ocupar determinados lugares.
Mas quem conhece as periferias, as favelas sabe que essa história não se resume à ausência. Existe força onde tentaram impor silêncio. Existe potência onde muitos ainda insistem em enxergar apenas carência.
É dessa potência que nasce um encontro como este, liderado por Rogério Santos, pelo Isokan, pela Cufa Montenegro.
Neste ano, o seminário reúne nomes fundamentais para ampliar esse debate com profundidade e compromisso, como Celso Athayde, Negra Li, Zezé Motta, Selminha Sorriso, Bárbara Carine, Maíra Azevedo e Beatriz Araujo, Marck B entre outras presenças que fortalecem essa construção coletiva.
O 14 de maio continua fazendo a mesma pergunta.
E agora?
A resposta começa quando a memória deixa de ser contemplação e passa a ser compromisso real com transformação.
A entrada é gratuita e os ingressos estão disponíveis no site do Sympla.





