
Quando se fala em inteligência artificial, muita gente ainda imagina algo distante. Parece coisa da China, da Suíça, de São Paulo, ou no máximo, de algum laboratório dentro do Instituto Caldeira ou da Tecnopuc, em Porto Alegre. Esses espaços, de fato, têm seu papel. Mas o que pouca gente percebe é que soluções inovadoras também estão nascendo dentro das favelas e periferias do Rio Grande do Sul.
E não como promessa futura, mas como realidade.
Já imaginou uma inteligência artificial que ajude pequenos empreendedores diretamente pelo WhatsApp? Que oriente, organize ideias, sugira caminhos e fortaleça negócios de quem está começando? Essa solução já existe e vem da Restinga. A iniciativa liderada por Roberta Capitão mostra como a tecnologia pode ser acessível, prática e conectada com as necessidades reais da periferia. A PerifaTech surge como um exemplo concreto de como a IA pode democratizar oportunidades e impulsionar o empreendedorismo local.
— Eu acredito que a inteligência artificial só faz sentido quando chega em quem mais precisa, na ponta. E quem está na ponta são as pessoas, principalmente quem empreende na periferia e muitas vezes não tem acesso à informação de forma simples. A tecnologia precisa fazer sentido na vida real — diz Roberta Capitão, CEO da startup.
E não para por aí.
Na Bom Jesus, outra potência vem ganhando forma. À frente está Miro Silva, com a Persepólis, um projeto que une inteligência artificial, formação em games e capacitação tecnológica para jovens da comunidade. Mais do que ensinar ferramentas, a iniciativa forma criadores, desenvolvedores e protagonistas de uma nova economia digital.
Esses movimentos mostram que a favela, a periferia, não está apenas consumindo tecnologia – está produzindo, inovando e apontando caminhos.
Há 1 ano, estive em um evento global de inteligência artificial na Suíça, o IA For Good e pude acompanhar de perto o avanço dessa indústria pelo mundo. De lá para cá, muitas soluções surgiram, em diferentes países e contextos. Mas talvez uma das mais potentes esteja justamente onde poucos ainda olham: nas periferias.
A tecnologia quando encontra propósito, território e gente que conhece a própria realidade deixa de ser tendência e passa a ser transformação.



