
Taís Araújo prometeu voltar. Ao final da terceira e última apresentação de Mudando de Pele (com sessão extra e ingressos esgotados) no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, neste domingo (13), a atriz foi ovacionada pelo público gaúcho. E com razão.
Se você gosta de teatro (e até se não gosta), meu conselho é: caso Taís cumpra a promessa e retorne, vá. Vá vê-la. Vá ao teatro.
Integrante da programação do 33º Porto Alegre em Cena, o espetáculo é um petardo, um balaço, um furacão. Surpreende do início ao fim, pela atuação, pela música, pela iluminação, pelo cenário, pelo figurino. Pela capacidade de inovação.
Mudando de Pele é uma adaptação da obra da dramaturga inglesa Amanda Wilkin e nasceu do desejo da artista de contar histórias originais sobre mulheres, inclusive e especialmente mulheres pretas — no caso, Mayah, que chega perto dos 40 anos inconformada com os descaminhos da vida e ainda em busca de uma identidade.
O que se vê no desenrolar da história é uma reflexão sobre temas universais. É impossível não se emocionar.
Outro detalhe: a peça é um monólogo e ao mesmo tempo não é.

Explico: Taís domina o palco com expressividade facial, corporal e voz potente, mas não está só. Ao seu lado, estão duas musicistas com forte presença: Dani Nega e Layla, que fazem mágica sob os holofotes, criando a trilha sonora inédita ao vivo, misturando sons, falas e encenação, com referências africanas embebidas no funk, no rap, no samba.
Não é à toa que as três sessões lotaram. Neste domingo, o saguão do Multipalco ficou apinhado de gente, parte chegando e parte saindo da peça, tudo ao mesmo tempo, algo que não se vê com tanta frequência em Porto Alegre. E como foi bonito ver aquela gente toda em busca de... arte.
Obrigada, Taís, por tanto. Obrigada, Porto Alegre em Cena, por ser tão grande.




