Nascido na beira do rio Ibirapuitã, em Alegrete, Xadalu Tupã Jekupé, um dos nomes mais influentes da arte contemporânea indígena, chegou à Ásia. É o primeiro gaúcho e o primeiro guarani a participar da Bienal de Gwangju, na Coreia do Sul.
Trata-se da Bienal de arte contemporânea mais antiga do continente, fundada em 1995.
Em maio deste ano, Xadalu já havia se tornado o primeiro indígena sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Na sequência, viajou à Alemanha, onde expôs no prestigiado Humboldt Forum, em Berlim. Suas telas integram ainda acervos de grandes instituições em países como França e Espanha. O novo passo tem significado especial.
— É uma honra e uma felicidade imensa ser o único artista gaúcho em uma das maiores bienais do mundo. É uma oportunidade única para mostrar o barroco guarani, estilo que eu pinto. É uma tradição pampeana, com a cosmologia do Pampa. Estar lá é poder difundir isso em escala mundial. É dar visibilidade a uma arte decolonial, buscando uma nova narrativa, um outro olhar sobre a história — diz Xadalu.
Inédita, a obra Retã Mbarete, ou Milagre do Céu, na tradução do guarani para o português, está em exibição no Pavilhão do Brasil, junto de outros trabalhos produzidos em solo nacional.
A pintura sobre papel mede 1m52cm por 2m8cm e parte de uma premissa que perpassa toda a produção de Xadalu: para ele, a terra não é cenário, propriedade ou recurso, mas um corpo vivo, indissociável dos seres que nela habitam.
A 16ª edição da Bienal de Gwangju vai até 15 de novembro.





