A jornalista Camila Bengo colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Elas não precisaram ensaiar para interpretar duas melhores amigas no cinema. Afinal, Ingrid Guimarães e Mônica Martelli já estavam há 30 anos se preparando para isso. Agora, pela primeira vez, as atrizes dividem a telona em Minha Melhor Amiga, comédia que estreia nesta quinta-feira (3).
A história acompanha Júlia (Mônica) e Clara (Ingrid), duas amigas que, em meio a frustrações amorosas e profissionais, precisam lidar também com a chamada "síndrome do ninho vazio" depois que as filhas partem para um intercâmbio em Portugal.
Com o pretexto de visitar as meninas, as personagens embarcam em uma viagem ao país europeu. O companheirismo entre elas é suporte para as aventuras e desventuras que encontram pelo caminho.
Ingrid e Mônica estiveram em Porto Alegre para a pré-estreia do filme e conversaram com a coluna sobre como a relação que mantêm fora da tela influenciou o que é visto no longa, a importância da amizade feminina e a necessidade de as mulheres estarem abertas ao novo em qualquer fase da vida.
— Muitas histórias que a gente viveu, muitos papos que a gente já teve, muitos dos nossos pensamentos estão no filme — conta Ingrid, revelando que, em muitos momentos das gravações, foi difícil conter o riso devido à proximidade entre elas.
— Há uma intimidade que não se alcança em uma sala de ensaio. São 30 anos para chegar nessa sintonia — acrescenta Mônica.

Ao falar sobre a amizade vista no filme, as atrizes citam a urgência de retratar as relações femininas pelo viés da união e do apoio mútuo, não da rivalidade. Elas esperam mostrar que ter uma melhor amiga é uma das melhores coisas que uma mulher pode fazer por si.
— Queremos lembrar que precisamos ter um olhar amoroso umas para as outras, que a gente precisa se acolher. Mulher quando se une é revolucionário — diz Mônica, ao que Ingrid completa:
— Ao longo da história, não fomos incentivadas a nos unir. Sempre fomos incentivadas a ficar ouvindo os homens, a ser comandadas por um patriarcado. Então, a história que a gente está contando vai além de um filme de humor. É uma voz que vem para nos lembrar que precisamos estar juntas.
Se a amizade é uma das forças que movimentam a trama de Júlia e Clara, a vontade de continuar vivendo intensamente também é. As personagens chegam aos 50 anos e percebem que não precisam se acomodar com aquilo que não vai bem, pois a vida ainda não acabou. Pelo contrário: ainda há muito para se viver e descobrir, mesmo na maturidade.
— Nosso filme mostra duas mulheres que estão "para jogo". Elas querem amar, beijar na boca, ser mães melhores e se sentirem realizadas. O que estamos dizendo é que nunca é tarde para recomeçar — reflete Mônica.

Como exemplo, Ingrid lembra de quando ouviu de um ator mais velho que deveria aproveitar os bons papéis até os 45, pois depois disso "seu telefone pararia de tocar". Entretanto, foi aos 50 anos que ela assinou um dos maiores contratos de sua carreira.
— Lembro disso e penso: "Ainda bem que não acreditei nele". Então, mulheres, não acreditem quando falarem que vocês não podem fazer o que quiserem depois dos 50 anos, porque vocês podem — diz.
Com produção da Paris Filmes e direção de Susana Garcia — de Minha Mãe é Uma Peça e Minha Vida em Marte —, Minha Melhor Amiga estará em cartaz nos principais cinemas do país a partir de quinta.




