
Gramado anda lotada de turistas — basta caminhar por lá para ver com os próprios olhos —, inclusive de estrangeiros (no último fim de semana, topei com asiáticos e europeus). Conversei sobre o assunto com Rafael Peccin, diretor criativo do Grupo Casa, um dos principais grupos hoteleiros da Serra, e ouvi um suspiro de alívio.
Segundo Rafael, filho de Luciano Peccin, criador do Natal Luz, Gramado finalmente voltou ao que era no período pré-enchente, com ocupação semelhante à registrada em 2023 — algo que ainda não havia ocorrido desde o baque provocado pelo fechamento do Aeroporto Salgado Filho.
A Coleção Casa Hotéis tem três marcas na cidade: o tradicional Casa da Montanha, que fará 30 anos em 2027, o Petit Casa da Montanha (pet lover) e Wood (voltado ao público 14+). Em Cambará do Sul, na região dos cânions, ainda há o Parador Cambará do Sul, primeiro glamping (mistura de glamour com camping) do Brasil.
A seguir, a entrevista.
Vi muita gente em Gramado no último final de semana e me surpreendi com o movimento. Como está a cidade?
Gramado enfim voltou a ser Gramado do período pré-enchente. Achávamos que sairíamos da crise causada pelas inundações no ano passado, mas isso está acontecendo agora.
De que forma?
Tivemos um 2024 horrível por conta das enchentes. Gramado foi muito impactada pelo fechamento do aeroporto (Salgado Filho, em Porto Alegre). E uma coisa é reabrir o aeroporto, outra é reacomodar a malha aérea. Perdemos muitos voos. Isso foi voltando aos poucos. É um processo longo que acredito que ainda está em andamento. Notamos uma melhora ao longo de 2025 e acreditamos que 2026 seria de fato o ano da retomada. Tivemos uma Páscoa maravilhosa neste ano, mas depois a coisa travou um pouco outra vez. Aí veio o inverno e, desde então, não parou mais. Estamos no melhor momento desde 2023.
Como está a ocupação dos hotéis do grupo?
Tivemos uma ocupação acima de 80% nos meses de junho e julho. Não tínhamos isso desde antes das enchentes. E também notamos uma mudança de comportamento nos hóspedes.
Que mudança?
Antes, a gente chegava a ter reservas com 90 dias de antecedência. Hoje, caiu para 30. As pessoas deixam mais para a última hora, por conta de tudo que passaram com a pandemia, as questões do clima. Nos adaptamos a isso, e a cidade está vibrante outra vez. O que tu viste no final de semana é reflexo disso.
Qual é a expectativa para o Natal?
Estamos com uma expectativa muito grande para novembro e dezembro, principalmente. Tem tudo para ser histórico. Inclusive estou neste momento elaborando o projeto de Natal dos nossos hotéis, em especial do Wood, que é um hotel 14+. Queremos ampliar a oferta de atrações para casais.
O El Niño não preocupa?
Preocupa, sem dúvida. Mas não temos para onde correr. Temos de dançar conforme a música.


