
Impossível não lembrar da elegância de Glória Menezes. A atriz gaúcha foi, até o fim, uma mulher acima de tudo elegante — e eu não estou falando de roupas.
A pelotense que conquistou o Brasil nas telas da TV Globo foi uma mulher reconhecida pela forma respeitosa, educada e amorosa como tratava todos ao seu redor.
Glória nos deixou nesta terça-feira (18), aos 91 anos, com um legado imenso na teledramaturgia brasileira, mas não só. Deixou um exemplo de civilidade, algo tão em falta hoje em dia.
Em janeiro deste ano, tive a sorte de entrevistar Tarcísio Filho e Mocita Fagundes no Paralelas, meu programa no YouTube de GZH (assista aqui ao episódio completo). Ouvi com encanto o casal falar de Tarcisão, falecido em 2021, da sua eterna companheira, que Mocita adotou como mãe (e vice-versa).
A nora jamais esqueceu do que a sogra fez por ela e por sua família, que passava a ser dela também. Receosa, Mocita um dia procurou Glória para contar a ela sobre o filho transgênero. O que esperar?
— Por mais liberal e afetiva que eu seja e eu sou, ter um filho trans é passar por um luto. Eu precisei me desfazer daquela figura feminina que eu sempre tive em casa até os 18 anos de idade, para acolher o meu novo filho, e a gente foi falar com a Glória sobre isso. Eu fui cheia de dedos: "Glória, sabe aquela pessoa que tu sempre conheceu como uma menina? Pois agora o nome dele é Théo". Aí ela olhou assim e disse: "Legal!" Demorou cinco segundos para processar. E ela nunca mais errou o nome do Théo — disse Mocita, emocionada.
Essa era Glória Menezes. Uma mulher, sem dúvida, elegante.





