Ele criou a primeira cervejaria artesanal do Brasil e foi muito além disso na vida profissional.
O gaúcho Eduardo Bier Correa, o Dado Bier, é um executivo que atua em múltiplas áreas, inclusive presidindo um dos principais centros de saúde do Rio Grande do Sul, o Hospital Moinhos de Vento, na Capital.
Dado é o convidado do Paralelas desta semana.
A seguir, leia um pequeno trecho da entrevista, que você pode ver completa no YouTube de GZH e no Spotify (vai lá que vale a pena!). O programa tem novos episódios toda sexta-feira no início da tarde.

Como começou tua história no mercado cervejeiro?
A ideia surgiu como uma brincadeira entre primos com sobrenome Bier (cerveja, em alemão). Dizíamos que nossos antepassados eram cervejeiros e que nós deveríamos retomar o ofício. Mas comecei a trilha empreendedora no surf, vendendo pranchas e acessórios. Depois, tive a General Store na Nilo Peçanha. Foi a primeira loja de conveniência de Porto Alegre. A gente chamava de postinho.
E a cerveja?
No Natal de 1992, Jorge Gerdau, meu tio, disse “pô, Dado, quando tu vais fazer a tua cervejaria?”.
Jorge Gerdau foi o padrinho dessa história?
Sem dúvida. Sempre tive uma admiração muito grande pelo Jorge. É um cara de múltiplos feitos, meu ídolo, um grande exemplo. Respondi em tom empresarial: “Vou fazer quando tiver recursos.” Aí ele disse: “E se eu te der uma força?” Eu não sabia se era brincadeira ou se era sério, se ele ia mesmo botar dinheiro. No início, eu não tinha a mínima ideia do que era essa área. Basicamente, na época, duas empresas disputavam o mercado, Brahma e Antártica, quase como o Grêmio Inter.
Ninguém falava em cerveja artesanal, né?
Não existia. Não tinha nem internet. Algumas pessoas viajavam ao Exterior e conheciam um pouco mais. Aí, depois das festas de fim de ano, eu fui procurar o Jorge no escritório dele, e ele prontamente disse: “E então, Dado, vai encarar?” Depois disso, viajei para a Europa e para os EUA para aprender e conhecer experiências. Foi um aprendizado. Inauguramos a primeira cervejaria em 22 de março de 1995. Foi muito forte e intenso. Acabou nos projetando para o Brasil.
Recentemente, teve o momento de parar. Tu te desgostaste? O que houve?
A gente fez muito sucesso até o final dos anos 90. Criou-se uma marca com grande potencial nacional, e isso mexeu com o eixo. Aí houve uma mudança na legislação. Passou-se a cobrar 80% de imposto sobre o preço de venda ao consumidor final de quem não estava com o produto nas embalagens, como latas, garrafas, etc. Isso inviabilizou o negócio e paralisou brewpubs por praticamente 10 anos. O Brasil tem essas coisas, né? Aí nós dividimos os negócios, acabamos indo para um lado de industrialização de cerveja e depois remontando negócios de bares e restaurantes.
A gente rodou com isso num ciclo muito grande de empreendimentos, precisaria ter uma linha do tempo aqui para poder lembrar, mas foram inúmeros empreendimentos que a gente fez. Encerramos o último empreendimento (Food Hall Dado Bier no Bourbon Country) no final de 2024.
A pandemia impactou bastante. Naquele momento, tomei decisões duras. Sempre tive muita atenção ao timing, ao momento de entrar e de sair dos negócios. Entendi que um ciclo havia se encerrado. Foi difícil.
Agora estás voltando?
Recebi um convite muito carinhoso do Sérgio e do Matheus D ‘Agostin, do Shopping Bordaza, na Carlos Gomes. Estamos criando um grande complexo gastronômico que vai se chamar Dado Bier, com uma variedade grande operadores. Dentro de uns 60 dias vamos inaugurar o projeto (um food hall ao ar livre), que está muito bonito. Em todos esses anos, aprendi muito com os erros e estou animado de novo. O projeto está maduro e bem estruturado, com parceiros muito legais, algo que tenho valorizado na vida, nesse momento mais do que nunca (Dado está com 61 anos). Acho que o tema do sucesso é relativo. A gente poderia conversar muito sobre o que significa.
O que significa para ti?
Tem a questão da sustentabilidade financeira e também ambiental, que a gente não pode esquecer. Mas significa muito o que isso traz para a gente e o que nós estamos proporcionando para o mercado. Quanta alegria e entretenimento a gente está proporcionando. Eu nunca tive o objetivo de vender um prato de comida, vamos dizer assim.
Qual é o teu objetivo?
Acho que conseguir oferecer um momento de alegria. Estudei muito a história do Walt Disney, que é uma história tão mágica, tão bonita. Fiz aqueles cursos da Disney e tive muita inspiração lá. Então, acho que se a gente consegue proporcionar um momento de alegria... quantos casais se uniram na Dado Bier?
Não são só números, né?
É um pouco do legado, tem o negócio, obviamente, mas tem a contribuição e o que isso traz para mim nesse meu momento de vida e para meus familiares. Estou num momento bom, maduro e bastante feliz.





