
“A arte emana coisas boas”, diz em letras coloridas a caixinha que o clarinetista Darian Weber carrega quando leva sua música às ruas. Já conhecido por quem passa pelo bairro Moinhos de Vento e pelo Centro Histórico, agora o artista será prestigiado no Uruguai.
Foi em um dos cafés onde costuma tocar que Darian foi surpreendido. Andrés Pias, professor e produtor cultural de Montevidéu veio até Porto Alegre entregar em mãos o convite para o Prêmio Estrella del Sur – Desde Uruguay al Mundo.
A premiação reconhece “atores culturais, sociais e esportivos que trabalham silenciosamente para o bem da comunidade” desde 2017. Entre os gaúchos desta edição, apenas Darian e os fundadores do Hotel Colline de France, em Gramado (Jonas Caliari Tomazi e Ana Clara Grings Tomazi), serão agraciados.
A cerimônia está marcada para o dia 12 de setembro, às 16h, no Radisson Victoria Plaza, no centro da capital uruguaia. Amigos e apreciadores de Darian estão juntando contribuições para garantir que o músico possa marcar presença e receber o prêmio. Qualquer quantia é bem-vinda e pode ser enviada para a chave PIX 51998850095.
— Como eles mesmos dizem, sou uma pessoa que todo mundo vê pelo bairro, e todos sabem que estou sempre trabalhando e tocando. Então acho que o pessoal torce muito por mim, por isso essa mobilização. Tocar, pra mim, é normal, mas pra quem ouve é bem mais importante.
Saiba mais sobre “o clarinetista da esquina do Moinhos”
Natural de São Borja, Darian é músico profissional e segundo maestro da banda do Exército de São Leopoldo. Já toca clarinete há mais de três décadas e tem um raro e vasto repertório que vai de chorinhos e MPB até boleros e música francesa.
Pelas ruas, cafés, restaurantes e feiras da capital, já são pelo menos sete anos tocando e encantando o público, que reconhece de longe o assobio do instrumento — com direito a pedidos de clássicos como Garota de Ipanema, Trem das Onze e La Vie en Rose.
— Sempre toquei o que os chefes da banda e o maestro da orquestra pediam que eu tocasse, mas eu queria meu repertório, por isso fui sozinho para as ruas. Comecei pela vontade de fazer a música que gosto de fazer, então é um projeto todo pensado e que me dá muito prazer — diz.
E o show não fica só na música. Darian também faz questão de apostar em trajes vintage, buscando “resgatar costumes de antigamente”, além de preferir tocar próximo a locais com uma arquitetura mais antiga. É como se o clarinetista fosse um pedacinho tranquilo do passado no meio da confusão da capital.
*Sob supervisão da jornalista Juliana Bublitz, titular deste espaço.




