
Artistas, existem muitos. Há os que deixam marcas, não só pela grandiosidade de sua arte, mas pelo que são e pelo que representam.
Bagre Fagundes foi um desses casos.
Com sua morte, confirmada no fim da tarde deste domingo (2), em Porto Alegre, perde não só a querida família Fagundes. Perde o Rio Grande. Quando um grande artista morre, morre um pouco da cultura.
Bagre foi um desses homens que deixam rastros positivos por onde passam e dos quais é fácil gostar. Simples, conversa franca, mente afiada, faceiro quando empunhava a gaitinha que virou sua fiel companheira, ele era um bonachão, querido e talentoso, com coração gigante e uma qualidade em falta hoje em dia: um homem com consciência social e olhar pelo próximo, fosse quem fosse.
Em maio passado, quando os Fagundes fariam o show dos 45 anos do Canto Alegretense, mandei mensagem para Ernesto, um dos filhos de Bagre, perguntando sobre a festa. Do outro lado, recebi uma resposta aflita. Bagre estava na UTI.
— Não sei se dessa vez o velho volta — disse Ernesto, arrasado.
Aos 86 anos, depois de uma série de problemas de saúde (dos quais sempre "deu um jeito de voltar"), o pai havia sofrido uma parada cardiorrespiratória ao se engasgar no almoço, em casa. Desde então, estava internado no Hospital Ernesto Dornelles entre a vida e a morte.
Os filhos decidiram que "o show tinha de continuar". Afinal, Bagre gostaria que assim fosse. E fizeram um dos mais belos e emocionantes espetáculos de suas carreiras, deixando a gaita sobre o banco vazio, no palco, no lugar do "velho".
De alguma forma, ele estava lá.
Como diz Ernesto em uma de suas inspiradas canções, "filho de Bagre, peixinho é". Mesmo sem a presença física do pai, Os Fagundes seguirão dando continuidade ao seu legado, tenho certeza.
A diferença é que, agora, ele estará assistindo de camarote, de algum lugar, ao lado do Tio Nico, como gostariam gaúchos e gaúchas de todas as querências.




