O Paralelas desta semana recebe o fundador da Opus Entretenimento, Geraldo Lopes, para um bate-papo repleto de memórias que passam pela produção cultural no Rio Grande do Sul e por encontros com artistas consagrados, como Elis Regina, Rita Lee, Ney Matogrosso e Mercedes Sosa.
Ao longo de cinco décadas, ele ajudou a transformar Porto Alegre em parada obrigatória para grandes espetáculos nacionais e internacionais. No programa, revisita momentos marcantes dessa trajetória, compartilhando bastidores, curiosidades e episódios inusitados que ajudam a contar a história da Opus.
Entre os relatos, Geraldo conta detalhes do último show de Elis Regina na Capital, em 1981, e diz acreditar ter sido o último gaúcho a conversar pessoalmente com a cantora.
– O show foi no Gigantinho e contou com um público de cerca de oito mil pessoas. Na manhã seguinte, eu acompanhei ela até o aeroporto. Ela estava bem, com um namorado novo. Na sala vip do Salgado Filho, estava junto o Pinochet (ex-presidente do Chile), e eu perguntei se ela queria conhecê-lo. E ela disse, bem pimentinha: “Nem morta” – completa.
Lopes ainda diz que Elis prometeu voltar para lotar o ginásio e que a notícia de sua morte, pouco tempo depois, foi um choque. Durante a conversa, o produtor também relembra que os gaúchos tinham uma certa “birra” com a cantora, por acharem que ela tinha virado as costas para o Estado.
Eu não saí para montar um CTG, saí para cuidar da minha carreira como artista, como cantora
ELIS REGINA
– Incomodava o fato da Elis ter ido para São Paulo e não voltado mais. Mas ela dizia: “Eu não saí para montar um CTG, saí para cuidar da minha carreira como artista, como cantora” – conta.
Um leopardo no JA
Além dos encontros com grandes nomes da música brasileira, a trajetória de Geraldo Lopes e da Opus Entretenimento também é marcada por histórias improváveis vividas nos bastidores.
Uma delas aconteceu durante a passagem por Porto Alegre do espetáculo Aquarama on Parade, que reunia apresentações com animais. Como parte da divulgação, Lopes decidiu levar um leopardo para uma participação no Jornal do Almoço.
– Subi o morro da TV com o meu Passat bege e o treinador segurando o leopardo no banco de trás. E o animal baforejando na minha nuca – relembra.
O que parecia ser apenas mais uma ação promocional acabou se transformando em um episódio caótico. Segundo ele, ao chegar ao estúdio, uma produtora acabou pisando na cauda do leopardo, que reagiu imediatamente.
– A Marilourdes Franarin pisou na cauda do leopardo e ele avançou nela. Acenderam as luzes do estúdio, ela foi para o pronto-socorro tomar vacina antirrábica e o programa saiu do ar. Felizmente, seguimos amigos até hoje – explica.
A história é apenas uma das muitas lembranças compartilhadas por Lopes ao revisitar os bastidores de 50 anos dedicados à produção de espetáculos e ao desenvolvimento da cena cultural gaúcha.





