Xuxa talvez tenha sido a artista mais idolatrada e espezinhada do Brasil nos últimos 40 anos.
Amada por gerações de “baixinhos”, ela foi detonada por críticos ao longo de toda a carreira, acusada de sexualizar a infância, de vestir roupas “curtas demais” e até de fazer pacto com o “demo”.
Agora, aos 63 anos, a rainha forjada na sociedade de massas faz do último vôo de sua nave kitsch uma viagem de redenção — para ela e para a sua legião de fãs.
Já se disse de tudo sobre a gaúcha nascida em Santa Rosa, das insinuações preconceituosas e machistas das décadas de 1980 e 90 até a última e definitiva sentença: “Envelheceu, suma”.
Ela insiste em não sair de cena. Xuxa incomoda a turma da velhofobia.
É uma mulher madura que segue se vestindo como quer (com as longas pernas de fora), que vive um romance na “terceira idade”, que decidiu aceitar as próprias rugas e conviver com elas e que não tem medo de falar o que pensa.
O mais afrontoso de tudo: a sessentona Xuxa cometeu a empáfia de voltar aos palcos. E não foi um retorno qualquer.
Ela lotou um estádio inteiro em São Paulo, neste sábado (25), com a estreia da turnê O último vôo da nave. O show revisita sua história de ícone pop, com tudo o que tem direito (você deve ter visto as imagens da nave literalmente voando sobre a multidão).
Xuxa é o cisco no olho de uma sociedade que odeia tudo que não se encaixa nos padrões. Uma sociedade que ainda acredita que pode decidir o que uma mulher deve ou não deve fazer. A eterna rainha não está nem aí.
POA de fora?

A turnê de Xuxa tem novos shows confirmados em Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Porto Alegre, inacreditavelmente, ficou de fora. Alô, Beira-Rio, alô, Arena, será que ainda dá tempo? Xuxa, vem para POA!

