Eles sabem tudo e mais um pouco de comida boa: Lela Zaniol e Diogo Carvalho, fundadores e sócios dos Destemperados, são os convidados desta semana do Paralelas.
No bate-papo, falamos de projetos como o Mesa Gaúcha, que percorreu oito regiões do RS para destacar ingredientes e pratos típicos, e das surpresas reservadas para os 20 anos da principal multiplataforma gastronômica do sul do Brasil. Spoiler: vem aí o Prêmio Destemperados, uma grande notícia para o setor.
A seguir, confirma um trecho da entrevista. O programa tem novos episódios toda sexta-feira no início da tarde, no YouTube de GZH e no Spotify. Segue lá!

Gastronomia não é só comida, é muito mais que isso, né?
Diogo: A gente descobriu com o tempo que falar de comida é um idioma universal. Em qualquer lugar, em qualquer país, tu consegue te fazer entender quando está com fome. O Ferran Adrià (chef espanhol famosíssimo) um dia encerrou uma palestra dizendo que a gastronomia é a maior rede social do mundo.
E, quando vocês começaram, lá atrás, em 2007, as redes sociais eram muito diferentes...
Diogo: Eram só o Orkut e MSN.
Lela: E a gente encontrou a possibilidade de criar conteúdo gratuito no blog (Destemperados nasceu assim). Para nossos pais isso foi... “Cara, eles vão morrer de fome!”
Diogo: Era informal, né?
Lela: Não era um “trabalho sério”, entre aspas. A vida foi se encarregando de provar que estávamos certos.
E por que vocês decidiram escrever sobre restaurantes?
Lela: Teve uma questão de oportunidade lá atrás. Ninguém falava disso dessa forma. Quem falava sobre gastronomia eram especialistas, de cima para baixo.
Diogo: Era elitista.
Lela: E excludente. E a gente veio com a intenção de falar de igual pra igual, de contar a experiência [...] Hoje, existem centenas de milhares, milhões de influenciadores de gastronomia, o que é ótimo.
Como se manter relevante?
Lela: É uma marca que tem respaldo. A gente está aí há muito tempo e tem um legado de respeito ao mercado. No final do dia, a gente só existe porque tem pessoas empreendendo, roendo o osso. A gente deve muito a elas. Essa troca é muito legal.
Diego: A gente sempre esteve na retaguarda, dizendo assim: “Façam coisas, se reinventem e contem com a gente.” O nosso CEP é 90 mil alguma coisa. A gente tem compromisso com o Rio Grande do Sul e nunca abriu mão de ficar aqui.
Nesses quase 20 anos, quantos restaurantes visitaram?
Lela: A gente tem um número mágico que é mais de 5 mil.
Diogo: Muito mais.
Só neste ano, vocês rodaram mais de 10 mil quilômetros com o Mapa Destemperados e o Mesa Gaúcha. Como foi essa aventura?
Lela: O Mapa Destemperados já está na quarta temporada. A gente viajou esse Estado inteiro percebendo toda a riqueza em cada canto, em cada cidade. E o Mesa Gaúcha nasceu de uma provocação do governo do Estado, de como que a gente pode apresentar a gastronomia gaúcha como potencial turístico. É uma pesquisa com metodologia para entender a vocação gastronômica de cada lugar, e o grande legado é o resgate da autoestima, porque, às vezes, as pessoas querem fazer o que o outro faz. Não! Aqui tem pinhão, tem erva-mate, cordeiro do Pampa, cordeiro salineiro, tem tainha, casquinha de siri, patrimônios da mesa! A gente precisa mostrar que isso está correto.
Diogo: E que é legal, é para continuar fazendo.
As pessoas não se dão conta da jóia que têm nas mãos, né?
Lela: As pessoas vão para Nápoles, na Itália, e ficam horas na fila para comer uma pizza, só porque é a pizza napolitana. E a gente tem coisas assim aqui também.
Diogo: A comida caseira virou algo quase pejorativo, mas é a essência do que a gente busca hoje como cozinha afetiva. Nosso grande papel é mostrar para as pessoas que elas não têm de ter vergonha disso. É muito legal seguir fazendo isso ao invés de tentar impressionar com características que não são nossas.
Que novidade vocês estão preparando? O que vem aí?
Diogo: Fazemos 20 anos em 2027, uma data grandiosa, de apoio incessante à gastronomia. Qualquer projeto que a gente faça precisa ter esse ingrediente. Se for uma coisa só pela legalzice, não funciona. É por isso que, para o ano que vem, vem aí o Prêmio Destemperados, que é a nossa maneira de contribuir e de retribuir tudo o que recebemos nesses anos. Vai ser um marco anual, estruturado e com uma metodologia muito séria e confiável.


