Porto-alegrense e colorado até a alma, o executivo Paulo Urnau Pinheiro, CEO da BRIO, é o entrevistado da semana no Paralelas.
À frente da empresa responsável pela gestão compartilhada do Beira-Rio, ele conta detalhes sobre os bastidores do estádio, sobre futebol e os grandes shows e sobre o impacto da operação na economia da cidade.
A seguir, confirma um trecho da entrevista. O programa tem novos episódios toda sexta-feira no início da tarde, no YouTube de GZH e no Spotify. Segue lá!

Para um colorado, como é estar à frente dessa operação?
É uma honra, um orgulho e uma emoção. Em todos os jogos, eu estou no Beira Rio a trabalho, e a minha equipe está toda lá, trabalhando também, mas obviamente que a gente não se aguenta, a gente precisa torcer pelo sucesso do clube sempre.
Como executivo, passaste pela NET e por grandes redes de shopping centers. Como é que tu foste parar num estádio de futebol?
Sabe que essa coisa dos shoppings é que me colocou no Beira-Rio? Foram 12 anos no Grupo Iguatemi e quatro no Grupo Zaffari. Nessa época, conheci muita gente de outras empresas e foi uma dessas pessoas que me indicou. Já são 10 anos na BRIO.
Dá para dizer que existem semelhanças entre administrar um shopping e o Beira-Rio?
Com certeza. Se a gente somar todos os bares dentro do estádio, as lojas externas e o Sunset, que é um open mall de contêineres, o Beira-Rio é um shopping de 120 lojas. A gente administra tudo isso. Fazemos a locação, chamamos o pessoal, acertamos o mix de produtos. O bacana é justamente essa multiplicidade de negócios.
E vocês também administram camarotes, cadeiras... Como funciona?
A BRIO tem, pelo investimento que fez na reformulação do estádio para a Copa, uma concessão de 20 anos. No setor que chamamos de Coração do Gigante, temos 5 mil cadeiras, mais os 125 camarotes. Além disso, administramos os 65 bares e comercializamos publicidade e patrocínios do estádio. Ainda tem o edifício-garagem, o Sunset e o entretenimento, com todos os shows, que é uma parte muito legal do negócio. O Beira-Rio é um grande ecossistema, não é só futebol.
Pois é, e por lá passaram nomes como Paul McCartney, Roger Waters e Rolling Stones, aí vieram a pandemia e a enchente. Agora, parece haver uma retomada. Dá para dizer que Porto Alegre voltou ao circuito dos grandes shows?
Eu acho que dá, sim. A gente está conseguindo trazer isso de volta, mas eu sempre falo que esse esforço não é só do Beira-Rio. É um esforço de todo o ecossistema cultural, e o município e o Estado também têm de olhar para isso, para que Porto Alegre usufrua disso. Um show de 45 mil pessoas como foi o do Luan Santana (em junho), que vendeu 100% dos ingressos em 12 horas, lota os hotéis da cidade. Olha o que isso impulsiona na nossa economia. A cultura, o entretenimento, tem esse poder, que o futebol também tem.
Qual foi o show de maior faturamento para o Beira-Rio?
Foi o dos Rolling Stones, em 2016, e foi um show marcante. Aquelas imagens do Mick Jagger na frente do palco, cantando na chuva, marcaram para o resto da vida. Foi um show gigantesco e foi lá que aprendi o tamanho desse negócio. Um grande show gera renda equivalente a um grande jogo da Libertadores, quando o Inter bota 40 mil pessoas dentro do estádio.
E qual é a mágica para receber esses shows imensos e manter o gramado?
O Inter tem uma equipe fantástica de cuidados com o gramado. Eles são realmente muito capacitados, e a gente trabalha em conjunto para fazer o planejamento. Por exemplo, vamos ter dois shows em setembro (Henrique & Juliano e Kid Abelha) e já estamos fazendo trabalho preventivo. A gente atua em todas as frentes, inclusive fornecendo grama. Todo ano, temos um gramado comprado, reservado numa fazenda, que a gente disponibiliza para o clube.
Que show tu gostarias de ver no Beira-Rio?
Sou um cara fã dos anos 80, mas acho que um show fantástico seria o da Lady Gaga.
Quem vem em 2027?
Já temos algumas prospecções para o ano que vem.
Dá para contar?
Não, quem anuncia os nomes são sempre as produtoras, a gente não pode dizer, mas tem, já tem!




