Foi minha primeira vez em um SPA (reza a lenda que o nome vem de uma cidade belga conhecida desde a antiguidade pelo poder curativo das águas termais). Ao colocar os pés no Kurotel, em Gramado, a convite da equipe, vivi na prática, no último final de semana, aquela expressão que nós, gaúchos, conhecemos tão bem: todos os butiás caíram dos meus bolsos.
Não é à toa que o resort de saúde fundado em 1982 pelo médico Luís Carlos Silveira tenha sido eleito oito vezes (oito!) o melhor das Américas.
Tudo lá remete a uma vida saudável, focada em prevenção e na longevidade. É uma hospedagem de luxo, mas o luxo não se mostra nos excessos. Pelo contrário. É diferente de um hotel de alto padrão convencional.
De cara, o que me chamou a atenção (além das piscinas e do circuito de águas, da academia de ginástica, das salas de massagens e terapias mil, das aulas de yoga, meditação e dos equipamentos médicos de ponta), foram duas coisas aparentemente banais: o silêncio (tão alto que grita) e a ausência de bebidas nas refeições.
É um detox em muitos sentidos. Você só escuta o som dos pássaros do lugar, repleto de verde e longe do burburinho do centro. No restaurante, não há sal disponível nem álcool. Não há nem mesmo adega. Isso não significa que seja ruim.
O menu é frugal e criativo (até carne de avestruz comi), e há um carrinho de temperos circulando entre as mesas, criado há anos pela dona Neusa, matriarca da família Silveira. A escolha é livre e ensina a deixar a comida saborosa sem tanto sódio e ultraprocessados. A bebida não faz falta.
Se não há carta de vinhos, há um menu parrudo de testes genéticos que reforçam a pegada profilática. Não cheguei a fazer, mas dá para saber, por exemplo, se você tem pré-disposição ao Alzheimer.
Há diferentes tipos de planos. O meu foi o “welness” (de bem-estar), com diárias a partir de R$ 3.015 (no mínimo duas, incluindo estadia, refeições, atividades e aulas em grupo e uma terapia corporal individual por dia).
Recebi programação sob medida, com exercícios físicos, relaxamento e tratamento para dores na cervical (que andam me atormentando). Fiz massagem com pedras vulcânicas aquecidas, me banhei em sais, lodo e gelo, caminhei no Lago Negro, fiz "fitness na piscina", meditei, dancei, fiz yoga, tive uma sessão de fisioterapia, recebi raios infravermelhos de um aparelho ultramoderno nas costas, sentei numa poltrona massageadora e muito mais.
Saí melhor, mais leve (no corpo e na mente) e com vontade de manter a rotina saudável.
— No início dos anos de 1970, quando ainda era um médico recém-formado em Pelotas, meu pai percebeu que muitos pacientes não precisavam ter as doenças que tinham. Ele chegou a Gramado só com a maleta e a vontade de criar um método novo, para evitar isso. Foi assim que tudo começou — explicou a doutora Mariela Silveira, diretora do Kur e uma das quatro filhas do casal de fundadores.
Desde então, o dr. Luís Carlos é considerado pioneiro da medicina preventiva no Brasil, e o método Kur fez de uma cidade gaúcha do Interior referência internacional em autocuidado e qualidade de vida, atraindo gente do mundo todo.



