Quem resiste à delícia de rever objetos que marcaram a infância? De olho no "saudosismo nosso de cada dia" e na onda vintage que conquista as redes sociais, o Farol Santander Porto Alegre prepara uma nova e hipnotizante exposição gratuita — dessas de aquecer o coração.
Com curadoria de Gandhy Piorski, Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos vai apresentar, a partir de 14 de julho, nada menos do que 1,5 mil itens como bonecas, jogos, carrinhos, figurinhas e até ferrorama.
As peças vêm de uma coleção das décadas de 1940 a 1980, da pesquisadora Ana Caldatto, conhecida como "colecionadora de emoções" e expert na preservação da memória afetiva da infância no Brasil.
Além da exibição desse tesouro perdido no tempo, a mostra — que já passou pelo Farol Santander São Paulo — terá espaços interativos para o público brincar (adultos e crianças!). E atenção, papais e mamães: haverá inclusive uma área pensada para bebês (leia mais abaixo).
A intenção é resgatar a memória da infância das gerações mais velhas, reforçando para as mais novas a importância da experimentação corporal das brincadeiras — em tempos de telas onipresentes, isso é ouro.
Será uma viagem no tempo, por meio de brinquedos icônicos brasileiros. Detalhe: em Porto Alegre, a exibição será expandida em relação ao que se viu em São Paulo (o espaço é maior).
Dividida em três núcleos, a mostra terá ambientações com mobiliário e objetos de época, recriando contextos familiares e urbanos no Grande Hall (a área principal do Santander, sob os famosos vitrais coloridos).
Raridades
Entre as raridades selecionadas, estão as bonecas Susi lançadas em 1966 e transformadas em modelos exclusivos brasileiros a partir de 1969. Os visitantes vão encontrar também o Forte Apache Casablanca/Gulliver, brinquedo clássico de Velho Oeste que foi muito popular no Brasil nas décadas de 1960 e 1970.
Outro destaque é a casinha Metalma, produzida na década de 1950. Ela foi reproduzida em tamanho maior, para as crianças explorarem o espaço.
A coleção Playmobil também estará presente, além de fazendinhas e itens que remetem às brincadeiras de rua, como bafo, clica e outros brinquedos, como planadores, aviões, carrinho de rolimã e trens.
Núcleos da exposição
Nascimento da indústria e os primeiros imaginários
O período revela brinquedos associados ao cuidado da casa e às convenções de gênero, além de influências da corrida espacial, da Guerra Fria e dos primeiros filmes de espionagem.
São eles: bonecas de pano, borracha, baquelite e plástico, brinquedos de lata litografada, jogos de madeira e soldadinhos de chumbo.
Entre os destaques está uma das primeiras bonecas Emília, inspirada na personagem do Sítio do Pica Pau-Amarelo, confeccionada em feltro e que foi vendida exclusivamente nas lojas Mesbla.
As famosas casas de lata também estão entre os objetos principais, além de miniaturas de utensílios domésticos, como panelas.
Brincar como invenção e descoberta
Espaço dedicado aos brinquedos de microscópios, kits de química, máquinas de costura, jogos elétricos e conjuntos de engenharia que aproximam a tecnologia e a imaginação.
Os objetos estimulam a curiosidade científica e a experimentação, transformando o ato de brincar em exercício de criação e investigação.
A evolução das bonecas também se faz presente, com destaque para a primeira boneca fashion doll do Brasil, a “Susi”, que foi produzida com roupas, chapéus, maquiagens e acessórios.
Os robôs também ganham espaço na popularidade entre os preferidos da época. O núcleo ainda exibe uma rara miniatura do “Postinho Esso”, em madeira.
Popularização do plástico, cultura pop e vida nas ruas
Com a produção em larga escala e o surgimento de novos materiais, os brinquedos passaram a circular por todo o país. Bicicletas, skates, autoramas, figurinhas, jogos de botão, bonecas de papel e eletrônicos conviviam com o início dos videogames. O brincar ganha as ruas, reforçando as relações comunitárias e a troca entre as crianças.
Neste ambiente, entre os destaques, estão os primeiros videogames produzidos e comercializados no Brasil, como o Telejogo Philco e o Atari, além dos famosos walk talk.
As bonecas e bonecos com articulações e automatizações, como botões e pilhas, também são referências neste período, bem como os carrinhos com sistema de locomoção automáticos.
Em 1982, chega a primeira Barbie produzida em solo nacional, outro destaque deste núcleo.
Espaços interativos
Foram instalados no Grande Hall do Farol Santander 10 jogos de mesa, alguns deles com capacidade para mais de duas crianças brincarem, apresentando uma mistura de tradições de povos e brincadeiras populares de rua, como o boliche.
Os jogos foram inspirados em modelos orientais e da Europa medieval que, atualmente, estão retornando a muitos sistemas pedagógicos mundo afora.
Além disso, haverá binóculos para o público observar do chão quais brinquedos estarão dentro de grandes balões instalados no teto.
A instalação para os bebês (de zero a três anos) terá grandes bolas e almofadas espalhadas para se sentirem livres em explorar o ambiente.
Já o terceiro espaço, localizado à esquerda do hall, é mais expansivo, com uma proposta de experimentação livre. Voltado para toda a família, terá uma grande quantidade de peças de madeira para montagem de brinquedos, como torres, cidades, estruturas, entre outros.
O acervo de Ana Caldatto
Com mais de quatro décadas dedicadas à coleção, Ana Caldatto é hoje uma referência nacional no estudo e preservação dos brinquedos brasileiros. “Me sinto uma colecionadora de emoções”, resume, ao explicar que cada peça carrega marcas de uso, memória do brincar e tem o poder de nos transportar a uma viagem ao tempo. Seu acervo abrange itens desde os anos 1920 até os dias atuais, com foco nos brinquedos das décadas de 60, 70 e 80 – período em que o plástico democratizou o acesso ao brincar.
Serviço
- O quê: exposição Uma Viagem ao Mundo dos Brinquedos
- Quando: de 14 de julho a 13 de dezembro de 2026
- Onde: Farol Santander Porto Alegre (Rua Sete de Setembro, 1028 - Centro Histórico)
- Funcionamento: de terça a sábado, das 10h às 19h; domingos e feriados, das 11h às 18h (entrada permitida até uma hora antes do fechamento)
- Quanto: visitação gratuita



