
O Fimu/POA – Festival de Integração Musical tenta inverter a lógica de muitos festivais de música, em que a seleção costuma privilegiar quem já toca em alto nível. A segunda edição ocorre de 27 de julho a 2 de agosto, em Porto Alegre, com oficinas, concertos gratuitos e práticas de orquestra para jovens de nove projetos sociais.
Entre eles, estão a Orquestra Villa-Lobos, o Projeto Ouviravida, a Orquestra Jovem Theatro São Pedro, a Orquestra Jovem Casa da Música e a Camerata da Universidade Federal do Ceará.
— O festival é para todos, mas a gente vira a lente um pouco mais para os iniciantes e para o nível médio, porque quase não existem festivais voltados para eles — diz o maestro Arthur Barbosa, idealizador e diretor artístico do Fimu.
Violinista da Ospa e regente da Ospa Jovem, Barbosa trabalha com formação orquestral há mais de três décadas. Para ele, o festival ajuda a preencher uma lacuna na educação musical, especialmente entre alunos que não teriam acesso a aulas particulares ou a festivais tradicionais de performance.
Pela manhã, professores convidados irão até as sedes de alguns projetos para oficinas descentralizadas. À tarde, cerca de 120 jovens músicos participarão de ensaios coletivos, divididos em dois níveis de formação.
— Muitos projetos sociais estão em periferias, em áreas menos privilegiadas, e às vezes um simples tíquete de ônibus para se deslocar ao centro é impossível — afirma Barbosa.
O festival também terá oficinas abertas à comunidade musical na Casa da Música de Porto Alegre, com atividades voltadas a estudantes, professores, regentes e educadores. A programação inclui regência, improviso, ensino coletivo de cordas, palhetas para madeiras, gestão pedagógica e elaboração de projetos culturais incentivados.
Aprender a tocar junto
Um dos pontos centrais do FIMU é a defesa do ensino coletivo. Barbosa lembra que a formação musical esteve, durante muito tempo, associada à aula individual, com foco na preparação de solistas. Nos projetos sociais, a prática em grupo passou a mostrar outro caminho.
— É uma maneira que não tem o propósito de formar solistas, mas de formar primeiro cidadãos, depois músicos que consigam tocar em conjunto e talvez até serem músicos de orquestra no futuro — diz.
No ensaio coletivo, o aluno precisa escutar o outro, esperar sua entrada e entender que a música depende de uma construção compartilhada. Para Barbosa, esse aprendizado também ajuda a aproximar a música de concerto de públicos que historicamente ficaram distantes das salas de espetáculo.
A segunda edição cresceu em programação, mesmo sem grande ampliação de orçamento. Parte do avanço, segundo o maestro, foi possível graças à adesão de professores e parceiros. O Instituto São Benedito, por exemplo, ajudará a hospedar a comitiva que virá do Ceará.
A novidade mais visível para o público em geral será a programação artística noturna, com concertos gratuitos na Casa da Ospa, sempre às 19h, entre 27 e 31 de julho. O encerramento ocorre em 2 de agosto, às 11h, na Sala da Ospa, reunindo no palco as orquestras formadas durante o festival.
— Uma orquestra sinfônica profissional hoje em dia não tem sentido se não trabalha com educação musical — afirma Barbosa.
Concertos gratuitos na Casa da OSPA
27 de julho, às 19h: Concerto de abertura, com Orquestra de Câmara Preparatória da Escola da Ospa e Orquestra Jovem Casa da Música
29 de julho, às 19h: Orquestra Sinfônica de Estação e Orquestra de Sopros da Escola da Ospa
30 de julho, às 19h: Orquestra Jovem Theatro São Pedro e Orquestra Jovem Sesc RS de Pelotas
31 de julho, às 19h: Orquestra Villa-Lobos
2 de agosto, às 11h: Concerto Oficial do Festival, na Sala da Ospa
*Sob supervisão da jornalista Juliana Bublitz, titular deste espaço.





