Palco histórico de Porto Alegre, fundado em 1967, o Teatro de Arena será reaberto com festa na próxima quarta-feira, 1º de julho. E é para celebrar mesmo: fechado para espetáculos desde o início de 2024, o espaço está reformado.
Estive lá nesta semana, para ver os últimos ajustes e conversar com o novo diretor, Clóvis Rocha, um apaixonado pela arte, que conhece a fundo a trajetória do teatro. É um lugar único na cena cultural gaúcha. E está tinindo.
Localizado em um cartão postal da cidade (as escadarias do Viaduto Otávio Rocha, na Avenida Borges de Medeiros, Centro Histórico), o palco fica no subsolo de um prédio. É intimista (para 130 espectadores) e tem formato de arena (daí o nome). Você fica a um passo dos artistas, o que dá potência às encenações ali apresentadas. Não há nada parecido na Capital.
Com a reforma, bancada pelo governo do Estado (que mantém o espaço por meio da Secretaria da Cultura) e pela associação de amigos, a sala ganhou novos estofados e pintura renovada. O tablado foi revitalizado, a parte elétrica está refeita e os camarins foram reabilitados, entre outras melhorias.
O grafite do lado de fora (que retrata cenas de peças icônicas e quase foi apagado há alguns anos) também recebeu cuidados, pelas mãos do artista Lucas Anão, dando novo brilho à fachada. O teatro merece.
Para a reinauguração, está sendo montada uma programação de luxo, que abrirá caminho, também, para a comemoração dos 60 anos do lugar, em outubro de 2027.
— É uma honra fazer parte disso. O Teatro de Arena é mágico. Foi literalmente escavado por artistas em busca de espaço e de liberdade para atuar — diz Clóvis, que é bailarino, ator, diretor e gestor cultural e já dirigiu a casa entre 2015 e 2019.
Reabertura

A reabertura terá início às 18h do dia 1º de julho, quarta-feira, com a fanfarra do grupo Bate Sopra na escadaria, seguida, às 18h30min, de apresentação circense (com pirofagia e manipulação de objetos).
O papel de mestre de cerimônias caberá à artista Cassandra Calabouço, alter ego de Nilton Gaffrée Júnior, que conduzirá a festa.
No foyer, a partir das 18h40min, haverá performance da Plural Cia. de Dança. Às 18h50min, o palco será ocupado pela Nós Cia. de Teatro. Após a apresentação e falas de autoridades, haverá um coquetel e som do DJ Luan, até as 22h. É só chegar.
Espetáculos

A partir do dia 3 de julho, sexta-feira, o Teatro de Arena recebe uma sequência de grandes peças para marcar o retorno.
A primeira delas será Negreiros – Histórias que a História não conta, do Grupo Teatral Leva Eu, a partir das 20h. O espetáculo usa a obra "O Navio Negreiro", de Castro Alves, como metáfora para debater o racismo, o trabalho escravo contemporâneo, fluxos migratórios e a violência contra a juventude negra.
No dia 4, às 20h30min, será a vez de Goela abaixo ou por que tu não bebes?, comédia dramática imperdível que celebrou 20 anos em 2025, com Marcelo Ádams e Margarida Peixoto (detalhe: o casal mora no prédio onde fica o teatro!).
No dia 5, às 21h, o espaço receberá a peça Arena Selvagem, espetáculo multipremiado do Grupo Cerco, um dos mais inovadores da cena teatral gaúcha. A obra investiga os limites entre a animalidade e a civilização, a opressão e a liberdade.
Fora isso, Clóvis promete novos anúncios pela frente.
— A ideia é retomar muitos projetos que marcaram época e ir além — projeta, cheio de planos.
Ingressos solidários
Os ingressos para as apresentações das três peças poderão ser retirados no Teatro de Arena a partir de duas horas antes de cada espetáculo, com a doação de roupas para a Campanha do Agasalho.


