Um dos restaurantes italianos mais badalados de São Paulo – que tem a hospitalidade e o serviço de alto padrão como marcas inegociáveis – abriu as portas esta semana, em Porto Alegre, e eu fui conhecer.
É o Ristorantino, liderado pelo casal Ricardo e Márcia Trevisani, dois paulistanos bons de papo, de paladar e de negócios, apaixonados pelo Rio Grande do Sul – graças às viagens a Gramado e Canela e aos amigos que fizeram por aqui.
Ricardinho, como é conhecido no meio, fez carreira em um dos grupos gastronômicos mais prestigiados do país, o Fasano. Começou como garçom e, anos depois (após uma temporada na Itália como cozinheiro), tornou-se diretor e braço direito de Rogério Fasano por 20 anos, currículo de dar inveja a qualquer um que sonhe em trabalhar e ter sucesso no ramo.
A história da casa inaugurada na última segunda-feira (18) no Bourbon Carlos Gomes, do Grupo Zaffari, é fruto dessa trajetória e da experiência adquirida no primeiro empreendimento solo de Ricardinho e Márcia – o Maremonti, outro clássico de São Paulo, vendido ao empresário gaúcho Arri Coser (fundador do lendário Fogo de Chão e hoje sócio da NB Steak).
O primeiro Ristorantino (termo italiano que significa "pequeno restaurante") nasceu nos Jardins, área nobre da capital paulista, em 2014.
Hoje, a operação tem unidades em São Paulo (onde Márcia e Ricardo também comandam o Lassù, restaurante giratório com vista panorâmica, recomendado no Guia Michelin 2026) e no Rio de Janeiro. Porto Alegre é a primeira aposta fora do centro do país. A decisão teve apelo afetivo.
— Estamos curtindo muito estar aqui. Viemos a convite de um amigo, o Guibson Zaffari (diretor do Grupo Zaffari), que é louco por vinho e nosso cliente há anos — conta Ricardinho.
Foi inclusive numa brincadeira com Guibson e o arquiteto Arthur Casas (autor do design de interiores do novo Bourbon) que nasceu o prato criado em homenagem aos gaúchos em Porto Alegre: a quaglia (codorna) con funghi e polenta gialla.
— Eles estavam jantando conosco, e o Arthur brincou: "Você vai fazer galeto com polenta em Porto Alegre?" Fui à cozinha, falei com o chef e voltei com a nossa versão da receita, que só existe no menu aqui no RS — relata Ricardinho.
Outro detalhe que só existe por estas bandas é o conjunto de mobiliário e obras de arte escolhidos a dedo para a decoração do novo espaço, com capacidade para 80 lugares e adega de 700 garrafas: um lavatório em art nouveau da França de 1920, um gaveteiro português à moda Dom José da década de 1910, um tapete indiano em estilo Magreb, imagens do fotógrafo de arte e moda Fernando Louza e a tapeçaria de parede da artista chinesa Yu Li Mim — sem falar de Pinóquio, criado na Toscana. Réplicas do icônico boneco estão espalhadas pelo ambiente (um deles, em tamanho GG, pode inclusive ser assinado pela clientela).
"Mas e a comida?", você deve estar se perguntando. Vamos a ela.
Provei a codorna e te conto o que achei

A cozinha do Ristorantino tem a assinatura do chef executivo Henrique Schoendorfer, um austríaco com passagens pelo Fasano e pelo D.O.M. (leia-se Alex Atala) em São Paulo, pelo Al Pont de Ferr, em Milão, na Itália, e pelo Noma (considerado o melhor do mundo), em Copenhagen, na Dinamarca.
Por aí, já dá para ter uma ideia do que vem pela frente. O menu combina gastronomia italiana de base clássica premium com uma pitada de ousadia. É uma ótima pedida para um jantar especial.
A convite de Ricardo e Márcia, provei um pouco de tudo.
De comer de joelhos: carpaccio de carne wagyu (de origem japonesa) com rúcula, grão sarraceno crocante e queijo de ovelha (R$ 148), polenta rústica de trigo sarraceno com queijo taleggio italiano (R$ 89) e a famosa lasanha de carne com trufas negras e queijo grana-padano (R$ 155), carro-chefe do Ristorantino (não à toa).
Óbvio que experimentei, também, a codorna assada e desossada, com polenta cremosa italiana e cogumelos locais (R$ 175), desenvolvida em homenagem aos gaúchos.
Ricardinho, preciso te dizer: quase (sou bairrista!) superou o galeto al primo canto do DiPaolo, da Mamma Mia, do Nonno Mio, da Vera Cruz e do finado Augusto. Quase! Mas, brincadeiras à parte, o prato transpira delicadeza e suculência. É bom, sim, senhor.
De sobremesa, me rendi ao irresistível pudim caramelado de pistache siciliano (R$ 49), outra criação emblemática da marca.
Se eu voltaria? Sim, com certeza.
Serviço
- O quê: restaurante Ristorantino Porto Alegre
- Onde: Bourbon Carlos Gomes (Av. Carlos Gomes, 707 – loja 224 – 3º andar)
- Funcionamento: de segunda a sexta-feira das 11h30min às 15h e das 18h30min às 23h; aos sábados das 11h30min às 23h e aos domingos e feriados das 11h30min às 22h
- Telefone para reservas: (51) 98917-9677



