
O centro histórico de Porto Alegre pulsou. Este, talvez, seja o maior legado do Festival Fronteiras, que, mais uma vez, ao longo de dois dias, mostrou ao público o valor de uma região tantas vezes deixada de lado por quem vive na cidade.
Nós, porto-alegrenses e interioranos que adotamos a capital gaúcha como lar, precisamos olhar mais para o Centro — com o olhar de quem é "dono", de quem cuida e de quem cobra cuidado.
Precisamos reocupar o reduto que, nas primeiras décadas do século 20 (nossa Belle Époque), era sinônimo de elegância, de sociabilidade, do famoso footing — quando a Rua da Praia virava passarela, repleta de cafés, confeitarias, saraus, cinemas, belas vitrines, quiosques... e gente.
Em alguma brecha do tempo, perdemos essa riqueza e nos perdemos do Centro.
O Festival Fronteiras, que fez da Praça da Matriz seu palco principal, deu um novo "chacoalhão" em quem passou por lá. E não foi apenas com os debates de alto nível (envolvendo alguns dos maiores pensadores e pensadoras da atualidade) ou com os showzaços ao ar livre de Zeca Baleiro, Catto e Vitor Ramil, além de grandes artistas locais.
O festival mostrou que é possível, sim, fazer um grande e democrático evento em praça pública, na região central de uma metrópole. Que é possível, sim, fechar a rua ao trânsito de veículos e priorizar as pessoas. Que é possível, sim, conviver, conversar, dividir a mesa, tomar uma tacinha de vinho e curtir o dia e a noite no Centro sem medo da insegurança, sem pressa, com menos telas e menos impaciência.
Obrigada, Festival Fronteiras, por reacender na gente o amor pela nossa própria cidade.
Quem viabiliza e quem faz
O Festival Fronteiras tem apresentação do governo do Estado; patrocínio master Banrisul Mastercard, Corsan, Rio Grande Seguros e Icatu Seguros. Patrocínio acadêmico da Unisinos. Patrocínio de Unimed, Sulgás, Crown, PWC, Sebrae, Caixa e governo federal. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do RS, Ministério Público do RS e Tribunal de Justiça do RS. A realização é do Grupo DC Set e a promoção é do Grupo RBS.



