O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Ator da série Peaky Blinders (2013-2022), Harry Kirton, 27 anos, que viveu na produção britânica o personagem Finn Shelby, está de volta ao Rio Grande do Sul — que ele já havia visitado em 2022. Mas, afinal, o que trouxe o britânico, estrela um dos maiores fenômenos culturais dos últimos tempos, para o Estado novamente?
Além do trabalho como ator, ele também atua como creative advisor da QOD Cosmetics. E, por isso, está participando do lançamento de uma nova linha de produtos baseada em neuro fragrâncias — que ele afirma ir além de cheirar bem, "envolve estimular sensações e emoções".
Kirton, que está na programação do Gramado Summit, na quinta-feira (7), respondeu algumas perguntas para a coluna antes do evento. Entre as questões, ele abordou a série da qual participou, se existe alguma semelhança entre o universo de Peaky Blinders e Porto Alegre, as distorções das ideias da série que são comuns na internet e, claro, sobre vaidade. Confira abaixo.
Na sua visão, o que fez com que Peaky Blinders se tornasse este fenômeno cultural e, inclusive, influenciasse a estética das pessoas mundo afora?
Acredito que Peaky Blinders se tornou um fenômeno cultural porque revelou ao mundo algo que não era tão explorado até então, especialmente Birmingham e esse outro lado da Inglaterra. Normalmente, víamos personagens britânicos de forma estereotipada, mas a série trouxe uma nova perspectiva. Além disso, ela toca em muitos aspectos da vida: moda, grooming, irmandade, emoções. Existe uma mistura de elementos que fazem as pessoas se identificarem. Acho que o público se conectou justamente porque há ali valores e dinâmicas que, de certa forma, sentimos falta hoje.
Você esteve em Porto Alegre em 2022. O que você viu por aqui que poderia estar dentro do universo Peaky Blinders?
Pelo que eu vi do Brasil, e de Porto Alegre em especial, é quase o oposto do universo de Peaky Blinders. A Inglaterra daquela época, especialmente Birmingham, era muito industrial, com prédios pequenos, muita fumaça, um cenário mais pesado. Já o Brasil é vibrante, com muita natureza, espaços abertos e uma energia completamente diferente. Claro que existem contrastes, áreas mais urbanas, comunidades, construções menores, e talvez nesses ambientes seja possível imaginar algo mais próximo do universo da série. Mas, no geral, são realidades bem distintas.
Existe um movimento na internet que, nitidamente, não compreendeu as mensagens da série e utiliza os personagens para propagar mensagens machistas, por exemplo. Como você enxerga essa distorção do projeto?
Acho que as pessoas não deveriam pegar histórias e adicionar ideias que não estavam ali originalmente. O ideal é aprender com as partes boas e deixar as ruins para trás. Ser um bom homem é muito mais do que ser duro ou agir de forma fria. É sobre liderança, sobre cuidar das pessoas ao seu redor, respeitar e dar espaço às mulheres. Existe uma força muito grande nas emoções, entendê-las é muito mais poderoso do que ignorá-las. Os personagens de Peaky Blinders eram homens duros, em um contexto muito específico dos anos 1920. Eles eram gângsteres, e isso não deve ser visto como um modelo a ser seguido. É uma grande história, mas as pessoas precisam ir além disso. No fim das contas, é sobre ser uma boa pessoa. Amor e respeito são o que realmente importa.

Qual a sua principal lembrança de Peaky Blinders? O que achou do desfecho da história, agora, com o filme O Homem Imortal?
É difícil escolher uma única lembrança, porque Peaky Blinders fez parte de uma fase muito importante da minha vida. Eu comecei na série aos 15 anos e passei quase uma década nesse projeto. Mais do que cenas específicas, a minha principal memória é o quanto eu cresci como pessoa. Trabalhar com tantos profissionais experientes foi como uma universidade para mim. Quando penso na série, penso nessa jornada completa, de um garoto a um jovem adulto. Foi uma experiência incrível e muito especial.
Você volta ao Brasil a convite da QOD Cosmetics. Como é para você a questão da vaidade? E o conceito das neuro fragrâncias?
É uma honra estar de volta ao Brasil a convite da QOD. São pessoas incríveis e uma empresa muito interessante. Achei o conceito de neuro fragrâncias fascinante, porque vai além de simplesmente cheirar bem, envolve estimular sensações e emoções. É como uma ferramenta que pode ajudar no seu estado emocional, no seu bem-estar. Sobre vaidade, eu acredito no equilíbrio. Não é sobre se preocupar excessivamente com a aparência, mas sim sobre como você se sente. Cuidar de si mesmo é importante, ter um bom corte de cabelo, uma barba bem feita, usar uma boa fragrância. No fim, quando você se sente bem, isso reflete na sua aparência também.




