O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Hernandez, nome artístico de André Neto, se classifica nas redes sociais como "o maior cantor gótico gaúcho". E, agora, ele dá mais um passo para a consolidação deste título. Nesta sexta-feira (8), chega às plataformas o álbum Apneia, o seu primeiro projeto solo após trajetória com a banda Lítera.
Com 16 faixas, o disco chega ao público para entregar uma experiência pessoal do artista com distúrbios do sono e tem uma estrutura guiada por uma atmosfera de lembranças. Além disso, o trabalho autoral busca dialogar diretamente com a Capital — que aparece como pano de fundo recorrente das composições.
— Queria usar Porto Alegre como background, assim como o bairro de onde eu vim, o Sarandi, e o meu sonho de morar no Centro para falar como me sinto. Queria que o Apneia tivesse esse cenário, com a história de um jovem que nasceu na década de 1980 e atravessou os anos 1990 e 2000, mas ainda está tentando descobrir o que vai fazer. Cheio de incertezas, de inseguranças, fazendo muita coisa para tentar achar o seu lugar no mundo, a partir do sul da América do Sul — diz Hernandez.
A faixa inicial do álbum, por exemplo, Casa de Madeira, surge como uma chave de leitura da obra, articulando memória, infância, morte e inquietação, temas que percorrem todo o trabalho. Em seu drama com a apneia do sono, o artista enxerga que dormir conectado a um aparelho e depender dele para respirar transforma a percepção do tempo, do descanso e da própria existência.
Entre as referências que atravessam o disco estão Rodrigo Amarante, Júpiter Maçã, Dolores Duran, Roberto Carlos, Maísa e Los Panchos — sempre buscando manter a essência da latinidade, mas reforçando uma identidade mais íntima, diferenciando-se do trabalho desenvolvido à frente da Lítera. Hernandez, por sinal, afirma que o álbum não foi pensado a partir de estratégia de carreira, mas como uma necessidade criativa.

— Não enxergo o Apneia dentro de um gênero fechado. Ele transita bastante, tem rock alternativo, música ambiente, elementos eletrônicos. Mas também tem bolero, tango, milonga. Tem muita coisa. Mas fiz o álbum, no fundo, pensando em fazer um trabalho muito mais guiado pela atmosfera de uma memória, de um pensamento, do que um rótulo estético. Cada faixa tem um estado emocional — explica Hernandez.
Além da música, o Hernandes tem presença consolidada na cena cultural da cidade. É criador da caminhada Porto Alegre Mal Assombrada e é idealizador do Café Mal Assombrado POA. Recentemente, passou a atuar como um dos permissionários do Viaduto Otávio Rocha.
O pré-salvar do álbum Apneia pode ser feito neste link.

