Lucas Baur de Campos, o chef gaúcho que conquistou Paris (mas jamais tirou Porto Alegre do radar) partiu, na última quarta-feira (27), aos 38 anos. A morte (uma parada cardíaca enquanto dormia) pegou familiares, amigos e clientes de surpresa. A vida é um sopro.
O porto-alegrense havia conquistado freguesia fiel (e estrelada, incluindo grandes chefs parisienses) ao comandar o forno e o fogão do Brutos Restaurant Asador, que tocava ao lado da parceira de vida, Ninon Lecomte (com quem comemorou 15 anos de relacionamento em 2026). Os dois também lideravam o Bar Principal, outro ponto de sucesso na charmosa Rue du Général Renault, nos arredores da Bastilha.
Foi o frango assado com molho de ervas (especialidade do gaúcho) que ganhou o coração dos franceses, a ponto de juntar fila na porta aos domingos e de merecer destaque no jornal Le Figaro.
Lucas estava no auge da carreira e era considerado um fenômeno da nova geração de chefs brasileiros. Sua partida precoce foi alvo de um texto comovente de Zeca Camargo, na Folha de S.Paulo, outro conhecedor e admirador do tempero do porto-alegrense, que falava francês fluente, mas jamais esqueceu as origens.
Ele costumava retornar a Porto Alegre sempre que podia. Numa dessas vindas, provei o frango de Lucas no Capincho de Marcelo Schambeck e Flávia Mu, onde também tive o prazer de conhecer Lucas e Ninon em uma noite festiva. Schambeck e o amigo cozinharam juntos para a casa lotada. Foi um tremendo sucesso — "mais um", como diziam os amigos.
Sócio e bartender do Capincho, Fred Müller chegou a passar duas temporadas em Paris, a convite de Lucas e Ninon. Numa delas, elaborou a carta de drinques do Bar Principal. Jamais esqueceu a acolhida.
— Não consigo acreditar que ele se foi. Era um cara legal, amigo, parceiro e realmente muito admirado lá. É inacreditável — diz Fred.
Se fica alguma lição dessa história, é a seguinte: viva a vida hoje. Viva. Não deixe nada para amanhã, porque pode ser tarde.



