O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Nascida em Campo Bom, a atriz e cineasta Bárbara Paz volta ao Rio Grande do Sul, mas, desta vez, não para apresentar um de seus bem-sucedidos projetos no audiovisual. Vai abordar a sua própria história. Ela é uma das atrações do Festival Fronteiras deste ano e, no dia 16 de maio, convidará o público para participar de uma conversa intitulada O Poder das Cicatrizes: Lições Sobre Quem Podemos Ser.
Como o nome do painel adianta, Bárbara vai contar como as suas cicatrizes — frutos de um acidente na juventude —, as quais sempre tentou esconder, acabaram se tornando troféus e motivos para que a atriz tivesse ainda mais força em sua trajetória. Inclusive, ela desenvolveu uma elogiada exposição sobre o tema, chamada Auto-acusação, que já circulou internacionalmente.
— Sempre quis contar a minha versão das minhas cicatrizes e, na palavra cicatriz, no meio, tem atriz. E ser atriz foi descansar de mim, descansar das minhas cicatrizes. A exposição, então, conta como foi a minha reconstrução, o meu renascimento. É a história não só das cicatrizes que ficaram do acidente, mas de muitas outras que vieram antes — conta Bárbara.
A Auto-acusação navega entre fotografias, vídeos e uma instalação com elementos que cortaram a atriz, como cacos de vidro, assim como os que a costuraram e os que a protegeram ao longo dos anos, como cabelos e maquiagem. Questionada sobre quando a exposição virá para a Capital, Bárbara garante que já era para ter acontecido, mas a enchente impediu. A sua participação da atriz no Festival Fronteiras vai ajudar a enxergar este trabalho.
— Vai ser muito interessante porque estou voltando para a minha terra. Nunca mais voltei para falar de mim, sobre os meus eus, sobre as minhas cicatrizes. Essa conversa vai ser sobre as cicatrizes de todos nós e como que a gente consegue transformar elas, nos transformando em protagonistas da nossa história, da nossa vida. Peguei as rédeas da minha vida e fui fazer o que sempre achei que deveria — explica.

Diretora
Bárbara conta que adora gente e acredita que a história de todo mundo pode virar um filme. E ela mesma começou a dirigir projetos deste tipo. O primeiro deles foi Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou (2019), sobre o cineasta Hector Babenco (1946-2016), que foi companheiro da atriz por seis anos.
Depois, a cineasta comandou um documentário sobre a enchente que assolou o Rio Grande do Sul em 2024 — Rua do Pescador, nº6 (2025). O próximo desafio como diretora será o seu primeiro longa-metragem de ficção, Cuddle, estrelado pelo norte-americano Willem Dafoe, mas ainda sem data de estreia.
— O projeto ainda é bem embrionário. Estamos no processo de financiamento. Enquanto isso, desenvolvemos mais o roteiro, que vai ficando cada vez melhor. Estamos lapidando. Quando estivermos mais próximos do processo de filmar, posso falar melhor. Só posso antecipar que é um filme sobre a solidão nos tempos de hoje. E essa minha ida para a direção fez com que o cinema me tomasse por completo — detalha.
Mesmo com esse novo universo por trás das câmeras se abrindo para Bárbara, ela garante que ser atriz faz parte dela:
— Em seguida, volto aos palcos. Comprei os direitos de um livro da espanhola Rosa Montero, O Perigo de Estar Lúcida, que fez muito sucesso. É um manifesto da loucura do artista. Então, é maravilhoso. E vou fazer isso no teatro, com uma linguagem nova. Vou atuar, mas também vou dirigir.
O Festival Fronteiras ocorre nos dias 15 e 16 de maio, na Praça da Matriz, em Porto Alegre. Informações sobre ingressos e a programação completa estão no site do evento.




