O artista gaúcho Xadalu Tupã Jekupé, um dos nomes mais influentes da arte contemporânea ligada aos povos originais, acaba de conquistar um feito. Ele se tornou o primeiro indígena sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
O IHGB é uma academia fundada em 1838 no Rio de Janeiro, que se dedica à missão de pensar o Brasil. Além de editar uma revista (conhecida como uma das mais tradicionais publicações científicas do país, em circulação desde 1839), a instituição mantém uma coleção numerosa e rica de tesouros da cultura brasileira, que, desde o incêndio do Museu Nacional, é a mais antiga do Brasil.
A geração dos fundadores, no século 19, já contava com um artista gaúcho, o rio-pardense Manuel de Araújo Porto-Alegre (Barão de Santo Ângelo). Xadalu renova a presença dos artistas que contribuem para pensar o Brasil e vai além.
— A rigor, outros sócios antigos, como o poeta Gonçalves Dias, tinham origens familiares indígenas, mas ele nunca reivindicou essa identidade, mesmo dedicando-se à etnologia dos povos indígenas do Brasil e à poesia indianista. Marechal Rondon é outro antigo sócio de origem familiar indígena. Mas nenhum deles se assumiu como representante de indígenas no IHGB — explica Paulo Knauss de Mendonça, 1º vice-presidente da instituição.
Nascido na beira do rio Ibitapuitã, em Alegrete, Xadalu não apenas se assume assim, como, há algum tempo, vem realizando pesquisas históricas para compor seus trabalhos com olhar decolonial.
— Tenho uma relação próxima com os membros e já tinha feito uma residência artística no Rio, com pesquisas no instituto. Ser um membro é motivo de orgulho e uma oportunidade de reescrever a história a partir da perspectiva indígena — destaca Xadalu, que prepara nova exposição em Porto Alegre e, ainda em maio, levará pinturas ao Humboldt Forum, em Berlim, na Alemanha.
Nova exposição
Com apoio da Unisinos e curadoria de Aldones Nino, brasileiro radicado na Espanha, Xadalu lidera o projeto Tape (que significa “caminho”, em guarani), relacionado aos 400 anos das Missões no RS.
A exposição será inaugurada na Galeria Ecarta, em Porto Alegre, na próxima sexta-feira (22) às 19h. Antes disso, a partir das 17h, haverá bate-papo no local.
Sobre Xadalu

Xadalu Tupã Jekupé é um artista indígena que usa elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar, em forma de arte urbana, o tensionamento entre a cultura indígena e a ocidental nas cidades.
Sua obra, resultado das vivências nas aldeias e das conversas com sábios em volta da fogueira, tornou-se um dos recursos mais potentes das artes visuais contra o apagamento da cultura indígena no Rio Grande do Sul.
Telas de Xadalu integram hoje alguns dos principais acervos mundiais (em países como França e Espanha) e exposições internacionais, trazendo uma visão diversa da cultura e da sociedade — mais necessária do que nunca.





