
Marianita Ortaça é múltipla: psicóloga, artista, palestrante, empreendedora, mãe da Maya e, como se não bastasse tudo isso, embaixadora dos 400 anos das Missões e patrona dos Festejos Farroupilhas no RS.
Filha de Pedro Ortaça, último tronco missioneiro vivo, nascida e criada em São Luís Gonzaga, ela honra as raízes, defende os povos originários e diz que é preciso olhar para o passado para buscar um futuro melhor.
Marianita é a convidado da semana no Paralelas. O programa tem novos episódios toda sexta-feira ao meio-dia no YouTube de GZH e no Spotify.
Veja na íntegra
Como está sendo este ano, com tantas responsabilidades?
Está sendo um ano surpreendente e maravilhoso, porque estou me realizando como pessoa e profissional, e eu fiz um pedido especial para Deus, para que meu pai ficasse bem. Depois de muitas preocupações e problemas de saúde, que foram bem fortes em dezembro, a gente começou 2026 com o pé direito. O resto é consequência de tudo que a gente faz com o coração, com a verdade.
Tu és múltipla, mas me disse antes, nos bastidores, que bastava ser missioneira. É isso?
Sempre tive esse empenho junto do meu pai, desde pequenininha, desde os oito anos, acompanhando ele, vendo o amor dele pelas Missões. E, claro, queria refletir isso em algum momento da minha vida. Se nasci missioneira, ademais, pouco me importa.
É incrível a energia das ruínas de São Miguel, e muitos gaúchos ainda não conhecem, né?
Exatamente. Aquele lugar desperta tanto interesse no mundo. É quase que inadmissível acreditar que parte dos gaúchos ainda não conheça. Foi lá que nasceu o Rio Grande. Qual é o lugar mais importante de um território? Onde as coisas começaram. Quando a gente olha para o nosso passado, a gente começa a vislumbrar um futuro melhor. A gente precisa olhar para as Missões, porque foi lá que tudo começou.

Muita gente acha que os guaranis estão sendo esquecidos nesse marco dos 400 anos. Que te parece?
A cultura deles é muito forte e muito viva, e as pessoas precisam aprender com eles. Porque tudo que a gente procura hoje, a reconexão com a natureza, o sentimento de entender qual é a verdadeira moral de estamos nesse mundo, qual é o nosso caminho, essa questão espiritual forte, tudo isso eles têm, eles carregam. Então, quando tu entras numa aldeia como a aldeia lá de São Miguel, que eu costumo ir com frequência, parece que o tempo para. Não existe ansiedade, sabe?
A gente precisa aprender com eles a desacelerar?
Muito. A gente precisa aprender muito com a cultura deles, e essa é uma das minhas lutas, que foi a luta do meu pai a vida toda. Eles necessitam, sim, ser ouvidos. Que a cultura do povo guarani possa ser valorizada realmente, que eles possam ocupar um espaço muito maior, afinal de contas, eles eram os donos de tudo.
O que significa termos uma mulher com esse olhar como embaixadora dos 400 anos das Missões?
Acho muito importante. Foi uma surpresa, nunca imaginei, e fico muito feliz por estar, de alguma forma, representando a mulher gaúcha. Além disso, pouca gente sabe, mas os guaranis foram os primeiros a reivindicar o direito da mulher estudar.






