O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

A Simjazz Orquestra é novinha: nasceu há pouco mais de dois anos, mas já vem fazendo barulho. Só que daqueles que fazem carinho nos ouvidos. O grupo gaúcho chegou à cena cultural sendo uma mescla da potência de uma big band — ou seja, de um grupo instrumental de jazz — com a refinada expressão de uma orquestra de câmara.
A ideia era ser uma fusão, com metade de cada, criando um som diferente. E os músicos acreditam que estão conseguindo entregar o que se propuseram. Nos últimos meses, por sinal, a Simjazz está na estrada com um projeto de homenagem à música brasileira, financiado pela Ministério da Cultura, via Lei Rouanet.
Dentro da proposta, o grupo está levando para o público, gratuitamente, releituras em homenagem a cinco grandes álbuns nacionais. O Grande Circo Místico (1983), de Chico Buarque e Edu Lobo, e Clube da Esquina (1972), de Lô Borges e Milton Nascimento, foram os primeiros. E colocaram o nível lá em cima.
Agora, no dia 30 de abril, será a vez de outra pérola da cultura brasileira servir de inspiração para uma apresentação do grupo: o aclamado Elis & Tom (1974), de Elis Regina e Tom Jobim. A apresentação ocorre no Salão de Atos da Pucrs (Avenida Ipiranga, 6681), a partir das 20h30min, em Porto Alegre. Os ingressos podem ser retirados na plataforma Sympla.

Experiência
O espetáculo Elis & Tom: Esse Amor, Uma Canção contará com novos arranjos e a interpretação dos solistas Marilia Piovesan, Rodrigo Fischmann e Rê Adegas, sob regência de Edu Martins, que equilibra, no palco, os repertórios instrumentais e cantados.
A ideia é ser um show imersivo, repleto de imagens, em três atos, sendo o primeiro dedicado às obras de Elis e Tom antes da parceria; o segundo centrado nas canções do álbum de 1974; e o terceiro voltado às reverberações desse encontro em suas carreiras. Para isso, subirão ao palco 31 artistas.
— Posso dizer, com toda a modéstia, que temos a elite dos músicos gaúchos no palco. São músicos escolhidos a dedo. A gente demorou muito para chegar nesse resultado — explica o paulistano Martins, que vive há 20 no Estado. — Procuramos sempre o equilíbrio entre arranjo, performance e improvisação. Tem muito espaço para improvisação, mas a gente quer que o nível dos improvisadores seja tão alto quanto o dos arranjos que têm que ser tão altos quanto o da performance.
A Simjazz, hoje, é comandada por Martins, que além de maestro, é arranjador e diretor artístico; Marcelo Gus, que é músico amador e diretor executivo; e Fabiano Bonella, que atua na gestão do projeto. Juntos, ao lado dos demais artistas, vão precisar quebrar a cabeça para decidir quais serão os últimos dois álbuns nacionais que serão homenageados pela orquestra — e candidatos não faltam, afinal, o Brasil já produziu incontáveis obras dignas de ocupar este posto.
E para quem quiser fazer um "aquece" para o espetáculo da Simjazz, o maestro Edu Martins realiza, nesta quinta-feira (23), um show comemorativo pelos 18 anos de seu álbum Saia Rodada. A apresentação, que reúne a formação de músicos que gravou o disco, será no Espaço 373 (Rua Comendador Coruja, 373), a partir das 21h. Os ingressos estão sendo vendidos na plataforma Tri.RS.


