
Porto Alegre procura há 40 anos uma pintura do modernista Alberto da Veiga Guignard que pertence ao acervo da Pinacoteca Rubem Berta.
Intitulada Retrato de Mulher (1946), a tela mede 33x43 centímetros e, segundo documentos, teria sido transferida para o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em 1982. Naquele período, o Estado firmou um convênio com o município para abrigar a coleção das pinacotecas Aldo Locatelli e Rubem Berta, a fim de garantir a segurança e conservação dos quadros.
O sumiço foi notado em 1986 por uma comissão destacada para inspecionar as obras. Naquele momento, o grupo deu falta de 10 peças. Hoje, porém, apenas Retrato de Mulher permanece com o paradeiro desconhecido. Uma sindicância aberta em 1989 foi encerrada nove anos depois sem apontar responsabilidades.
— É uma peça que vale uma fortuna — afirma o diretor do acervo artístico de Porto Alegre, Flávio Krawczyk.
Ele esclarece que não trabalha com comércio de arte, mas estima um valor de R$ 200 mil. A coluna conversou também com o jornalista e colecionador de arte Paulo Gasparotto, para quem o trabalho pode valer entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, dado que não é um dos principais trabalho do artista.
Em 2015, outra pintura de Guignard (Vaso de Flores) foi arrematada por R$ 5,7 milhões. Bateu o recorde de maior valor pago por um quadro de artista brasileiro na época.
Apuração
A procura por culpados é complicada, diz o diretor. Passou muito tempo até que alguém notasse o sumiço e faltam registros da peça.
— Se uma obra desaparece num período de sete dias, tu consegue ter uma ideia de quem passou, quem entrou, quem saiu. Agora, (quatro anos) é bem complicado — aponta Flávio.
Retrato de Mulher está registrada no Cadastro Nacional de Bens Musealizados Desaparecidos (CBMD), lista que reúne itens procurados pelo país. Porém, a pintura foi registrada erroneamente como pertencente ao Margs. Em nota à coluna, a Secretaria de Cultura do Estado disse que já solicitou a correção ao CBMD.
A pasta também afirma que, embora a ata de transferência inclua Retrato de Mulher na lista, não é possível garantir que ela tenha entrado no acervo do museu.
Poucos registros
Até então, a única fotografia conhecida desta tela era um recorte da Folha da Tarde do dia 22 de outubro de 1979. Contudo, a coluna encontrou no arquivo de Zero Hora uma imagem feita por Olívio Lamas, em 1971, em que é possível ver mais detalhes da pintura.
Guignard nasceu em 1896, no Rio de Janeiro. Estudou arte na Europa, mas se destacou no Brasil. É um artista fundamental do modernismo brasileiro, mentor de nomes como Iberê Camargo, Vera Mindlin e Alcides da Rocha Mirand. Sua obra inclui imagens sacras, retratos e paisagens de Minas Gerais, onde morreu em 1962.
Outro sumiço
Além desse Guignard, o município também desconhece o paradeiro de uma outra obra. É uma xilogravura de Nelson Ellwanger, medindo 52x42 centímetros e intitulada Gravura 031. O trabalho chegou a constar na lista de peças não encontradas em 1986, foi encontrada posteriormente, mas voltou a desaparecer. A equipe ainda não fez o registro na lista do CBMD.
*Sob supervisão da jornalista Juliana Bublitz





