Uma das bandas fundadoras do rock gaúcho é a convidada do Paralelas desta semana: TNT, representada por Charles Master, Tchê Gomes e João Maldonado.
Depois da volta triunfal para celebrar as quatro décadas de história, em 2024, a turma prepara mais um baita show no Auditório Araújo Vianna.
Dessa vez, o foco é o primeiro álbum, TNT I (veja a foto mais abaixo), que virou item de colecionador, vai fazer 40 anos e é, até hoje, um marco da cena roqueira no RS, cultuado entre os fãs. Será no dia 24 de abril, e os ingressos já estão à venda (leia os detalhes no fim do texto).
Tudo isso e mais um pouco foi tema do bate-papo no Paralelas, marcado por descontração, muita risada, uma pegadinha de 1º de abril (quando ocorreu a gravação) e uma boa dose de saudosismo.
O Paralelas tem novos episódios toda sexta-feira ao meio-dia no YouTube de GZH e no Spotify. A seguir, leia trechos da entrevista:
Como é pensar nesses 40 anos? Passa um filme na cabeça?
Tchê Gomes: Passa, claro que sim. Tem uns trechos desse filme que a gente não lembra (risos).
Charles Master: E tem uns que a gente não faz questão de lembrar (risos).
E começou com uma brincadeira de guris, né? Tocando na garagem...
Charles: Quando começou o TNT, a gente morava no Bom Fim, numa rua chamada Cauduro, bem em frente ao Auditório Araújo Vianna. A gente assistia às passagens de som. O Araújo não tinha ainda a parte coberta, então a gente escutava e ia lá. Nosso sonho, meu e do Flávio Basso, o Júpiter Maçã (falecido em 2015), meu amigo de infância, era fazer um show no beco onde a gente jogava bola. Éramos do mesmo time, inclusive do Alexandre Fetter, que era o nosso vizinho de condomínio, o edifício Electra. Ele sabia dessa nossa ideia e disse assim: "Lá na Rua Santo Antônio tem um cara que toca bateria muito bem, o Felipe Jotz". A bateria era da banda do Anchieta. A gente começou a conhecer mais o pessoal do bairro que morava por ali e tocava...
O primeiro show foi no beco?
Charles: Não foi o do Beco. Não teve ainda esse show (risos). As coisas foram se entrelaçando da forma que o destino quis, e eu acredito muito em destino. Esse novo momento, para a gente, é muito especial, porque a gente voltou para fazer um show (em dezembro de 2024, nos 40 anos) e foi super legal, foi legal a gente conviver novamente juntos. A vida fez com que a gente se conhecesse e tivesse o privilégio de conseguir compor canções que fizeram, fazem e farão parte de várias vidas, trilhas sonoras com muitas pessoas que estão aí, que não estão mais e que estão por vir, tenho certeza.

E o primeiro disco do TNT, como nasceu? Hoje é item de colecionador, né?
Charles: Inclusive, quem quiser me dar um, pode dar, porque o meu tá bem velhinho (risos). Eu tinha mais de um, mas levaram, fiquei só com o mais ralado de todos.
Tchê: Para falar desse disco, temos de falar um pouquinho sobre sobre a coletânea Rock Grande do Sul, que foi onde o TNT apareceu primeiro, na sua primeira formação. Ali tem Engenheiros do Hawaii, Replicantes, Garotos da Rua, Defalla e TNT. Isso foi em 1985, cada um com duas músicas. Ali estão Estou na mão e Entra nessa, que depois foram para o primeiro disco.
Charles: Esse disco foi gravado em São Paulo por mim, pelo Jotz, pelo Tchê e pelo Márcio (Petracco). E nosso produtor do estúdio, o Barriga, botou músicas com piano, maravilhosas. A gente queria reproduzir isso nos shows. Aí entrou o João (Maldonado).
Tem um público que acompanha o TNT desde o início, mas tem uma nova geração vindo aí. A Orquestra do Colégio Rosário fez uma homenagem para vocês, né?
João: Foi uma homenagem de fim de ano. A gente foi lá e foi tão bonito ver...
Charles: Eles vão tocar com a gente no dia 24, vai ser muito legal. As nossas músicas são muito queridas pelas crianças, isso é uma coisa que me deixa muito confiante dessa virada de gerações do nosso trabalho. Eu toquei no dia 12 de outubro, um show que eu queria fazer há muito tempo, para a criançada aqui em Porto Alegre no Dia das Crianças.
Por que será que as crianças gostam das músicas de vocês?
Charles: Eu considero que nós éramos ainda crianças quando gravamos aquilo lá (as primeiras músicas). As palavras que a gente usou, as coisas que a gente falou são muito sinceras.
João: De certa forma, isso se comunica (com a gurizada de hoje).
Charles: Cada álbum nosso, assim como esse primeiro, que a gente está contemplando agora nesse show do dia 24 de abril, cada álbum nosso retrata muito a fase que a gente estava vivendo na vida.
Serviço
- O quê: show TNT I — PONTO ZERO
- Quando: 24 de abril | Sexta-feira | 21h
- Onde: Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre (Avenida Osvaldo Aranha, 685 – Bom Fim)
- Ingressos: R$80 a R$540 (mesas bistrô com quatro lugares), clicando aqui
Sobre o show

Diferentemente das apresentações anteriores, o show trará um repertório exclusivo, pensado especialmente para esta data.
Canções que nasceram junto com a icônica capa das flores, do TNT I — como “Cachorro Louco”, “Ana Banana”, “Identidade Zero” e “Oh! Deby” — voltarão a ser entoadas ao lado de outros hits que marcaram um período de intensa efervescência do rock nacional e seguem atravessando gerações.
O show contará, ainda, com participação especial da orquestra do Colégio Marista Rosário, formada por cerca de 20 alunos do 4º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio.





