
Uma pesquisa inédita promovida pelo Ministério do Turismo e pela Unesco sobre segurança para mulheres viajantes será tema de debate nesta quinta-feira (9) em Porto Alegre. Liderado pela jornalista gaúcha Anelise Zanoni, o estudo deu origem ao Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, que tem distribuição gratuita (veja no fim do texto como acessar).
Com participações da jornalista Fê Pandolfi, que deu a volta ao mundo "solita" em 2017, da turismóloga Ivane Fávero (do perfil @viajantemaduro) e da empresária Fernanda Fulber, proprietária da agência Elas pelo Mundo, o bate-papo será um dos destaques da Feira de Negócios Turísticos Ugart (União Gaúcha dos Operadores e Representantes de Turismo), no Centro de Eventos do BarraShoppingSul.
A feira vai até sexta-feira (9) e é voltada a agentes de viagens, operadoras, destinos e empresas do setor. São esperados 7 mil profissionais da área, do Brasil e do Exterior.
A ideia é aproveitar a visibilidade para apresentar dados da pesquisa, que ouviu 2.712 mulheres em todo o país, entre agosto e setembro de 2025.
— Vou mostrar os números e falar o quanto viajar sozinha ainda representa riscos para as mulheres. Mais de 700 participantes do estudo relataram situações de abuso, perseguição e violência — diz Anelise.
As respostas resultaram em uma publicação de 72 páginas, onde estão reunidos dados e orientações para promover um turismo mais seguro e inclusivo.
Alguns destaques
- Quatro em cada 10 brasileiras já viajaram sozinhas e 31,4% realizam esse tipo de viagem com frequência.
- O Brasil ocupa papel de destaque: entre as 41,8% que já viajaram sozinhas (tanto no país quanto no Exterior), 35,9% optaram por vivenciar essa experiência exclusivamente em território nacional.
- Apenas 4,6% nunca realizaram uma viagem solo pelo país.
Perfil da viajante solo
A faixa etária predominante é de 35 a 44 anos (34,6%), seguida pelas faixas de 45 a 54 anos (22,1%) e 25 a 34 anos (21,7%).
A maioria possui renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não têm filhos.
Entre as mães com filhos menores, 58,5% sentiram-se seguras ao viajar com eles.
Motivações e interesses
Embora o lazer lidere (72,6%), a busca por independência e liberdade é central para 65,1% das entrevistadas.
Autoconhecimento, trabalho e visitas a familiares também são citados.
Na escolha do destino, a segurança e a liberdade de escolha superam fatores como preço e conforto.
Visão especializada
O material contou com a consultoria de 17 especialistas das áreas de turismo e gênero, além da parceria com a Unesco e a jornalista Anelise Zanoni.
O conteúdo dialoga com políticas públicas como o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e o Protocolo Não é Não, reforçando que a segurança é uma responsabilidade compartilhada por toda a cadeia turística.

