O jornalista Carlos Redel colabora com a colunista Juliana Bublitz, titular deste espaço.

Bem pilchado, ostentando um pomposo bigode, com um vasto vocabulário gaudério e uma malandragem ágil para fazer graça de cenas inusitadas que acontecem pelo interior do Rio Grande do Sul. É assim que o personagem Tertuliano, criado por Gerson Brandolt, 58 anos, vem fazendo sucesso nas redes sociais.
Só que, mesmo com quase um milhão de seguidores entre Instagram e Facebook, muito familiarizado com ambiente digital, o veterano não vem desta realidade: cresceu na lida da campanha, envolvido no universo dos cavalos. Talvez por isso o seu conteúdo entregue tanta naturalidade e conexão com os gaudérios.
— Provenho do campo, do mundo do rodeio. Sempre lidei com CTG e declamação, isso desde os meus 15 anos. É daí que vem toda a minha arte — conta o alegretense.
Foi aos 37 anos que começou a olhar com mais atenção para o ramo da comunicação e não demorou para virar radialista em sua cidade natal. Neste ambiente que desenvolveu um programa de causos pitorescos. O negócio foi pegando tração e, então, chegaram as redes sociais e a possibilidade de entregar este conteúdo por lá também.
— Vi que tinha necessidade de criar um personagem para contar esses causos na internet. Faz uns três anos, então, que nasceu o Tertuliano, que é espelhado em cima desses "véio" capataz de estância aqui do Alegrete, que usa esses bigodes bem grandes e falam sempre meio brabo. Aí comecei a contar os causos, a parte da arte declamatória e foi andando — explica.
Pronto, deu certo. Os seguidores foram aumentando e o homem do campo se viu virando um influenciador. O público começou a mandar diversos vídeos, seja de baile, do manejo dos bichos e de outras situações inusitadas para que sejam narrados pelo Tertuliano. O personagem, hoje, segundo o seu criador, é famoso nas ruas do Alegrete — e fora da cidade também, sendo reconhecido em vários lugares.

Reconhecimento
Tanto é que, no final do ano passado, foi convidado para apresentar, ao lado de Neto Fagundes, o Galpão Crioulo, na RBS TV. Foram quatro episódios e, segundo o artista, foi um momento "inesquecível" e "de muito aprendizado". Atualmente, as redes sociais tomam a maior parte do tempo de Brandolt, que faz diversas publicidades e participação em eventos pelo Estado afora, além de integrar a banda tradicionalista Os Chacreiros.
— Encontrei uma forma de divulgar a tradição gaúcha nas redes, elevar a nossa cultura, que é o que eu sempre busquei. E eu sou meio que o oposto do Tertuliano. Se tu convives com o pessoal do campo, tu começas a enxergar várias identidades do homem disposto e do que não é tão disposto. E o Tertuliano só fala e não faz nada. Ele é o provador de boia das estâncias, parece que é bom de serviço, mas é ruim. Já eu sou bom de serviço. Levanto quatro e pouco da manhã e não tenho hora para parar trabalhar — diz o influenciador.
E, pelo o que Brandolt conta, ele chegou neste status de hoje aprendendo tudo sozinho, depois de vender uma égua para comprar o primeiro notebook anos atrás. Atualmente, grava, atua, edita e publica todo o seu conteúdo sozinho. É louco de bagual!




