
Flautista há mais de duas décadas, a porto-alegrense Ana Carolina Bueno tinha um sonho: compartilhar a paixão pela flauta transversa de forma simples e sem barreiras. Ela não só conseguiu concretizar o intento, como lança nesta quinta-feira (9) mais uma edição do projeto Vida de Flautista – Concertos Didáticos.
Até o dia 7 de maio, a iniciativa vai percorrer escolas públicas da Capital, com 14 apresentações gratuitas, focadas no público adolescente.
A história de Ana começou quando, ainda menina, assistiu à Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) e viu a flauta brilhar nas mãos de Artur Elias Carneiro. Aos 13 anos, ela ingressou na Escola de Música da Ospa, teve aulas com o mestre e, desde então, não parou mais.
— Me apaixonei e, aos poucos, percebi que queria ir além, queria poder falar mais sobre o instrumento para as pessoas, especialmente para quem não conhecia. Entendi, também, que era preciso empreender na música. Foi assim que surgiu o projeto — diz Ana, que se formou bacharel em Flauta Transversal na UFRGS, tem 39 anos e já dividiu o palco com artistas do quilate de Ivan Lins, Zizi Possi e Guilherme Arantes (leia mais no fim do texto).
O Vida de Flautista começou em 2018, com lives dedicadas a explicar a flauta e a apresentar outras artistas mulheres — minoria nas orquestras.
Com o tempo e o apoio de parceiros (hoje o patrocínio master é do Banrisul), a ideia avançou e chega à terceira edição.
Nesta quinta-feira (9), acompanhada de Dimi7cordas no violão e Wagner Vieira na percussão, Ana vai tocar e contar sua história para alunos do Colégio Estadual Júlio de Castilhos.
Nas próximas semanas, outras instituições serão contempladas (leia abaixo), incluindo a Escola Municipal de Ensino Fundamental Porto Alegre (EPA), reconhecida pelo trabalho com população em situação de rua.
A intenção é formar plateias e, quem sabe, semear o sonho de estudar e de viver da música nas novas gerações, mostrando que qualquer um pode tentar. Um bom exemplo, às vezes, é o empurrãozinho que faltava.
Vida de Flautista – Concertos Didáticos 2026

Porto Alegre (RS), de 9 de abril a 7 de maio, com entrada gratuita.
9 de abril
Colégio Estadual Júlio de Castilhos – Av. Piratini, 76, com apresentações às 10h30min, às 16h30min e às 20h30min.
16 de abril
Escola Estadual Alberto Torres – Av. Rodrigues da Fonseca, 1666, com apresentações às 10h30min, às 16h30min e às 20h30min.
23 de abril
Instituto Estadual Rio Branco – Av. Protásio Alves, 999, com apresentações às 10h30min, às 16h30min e às 20h30min.
30 de abril
Escola Técnica Estadual Irmão Pedro – Rua Félix da Cunha, 515, com apresentações às 10h30min, às 16h30min e às 20h30min.
7 de maio
Escola Municipal de Ensino Fundamental Porto Alegre (EPA) – Rua Washington Luiz, 203, com apresentações às 10h30min e às 14h30min.
Quem viabiliza
O projeto foi selecionado por meio do edital do Programa Banrisul de Patrocínios e conta com o apoio da QÓculos.
Quem é Ana Carolina Bueno

Flautista gaúcha, bacharel em Flauta Transversal pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com formação inicial na Escola de Música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), Ana Carolina Magalhães Bueno atua há mais de 20 anos como artista, educadora e gestora cultural, desenvolvendo projetos que articulam criação artística, formação, circulação cultural, protagonismo feminino e valorização da diversidade no cenário cultural do RS.
Foi uma das mais jovens artistas a receber o Prêmio Trajetórias Culturais – Mestra Griô Sirley Amaro e, em 2025, foi reconhecida como uma das 20 mulheres negras mais influentes do Rio Grande do Sul.
Em sua atuação artística, dividiu o palco com importantes nomes da música brasileira, como Ivan Lins, Zizi Possi, Guilherme Arantes, Mário Adnet, Diogo Nogueira, Renato Borghetti e, mais recentemente, com o artista Gusttavo Lima.
Atuou como flautista convidada em formações como a Ospa, a Orquestra Theatro São Pedro, a Orquestra de Câmara da Ulbra, a Banda Municipal de Porto Alegre e a Orquestra Sinfônica de Gramado, entre outras.
Sua carreira também possui projeção internacional, com destaque para a turnê “Notas Tropicais”, realizada na Europa com o Quinteto Guarany, levando a música brasileira a diferentes públicos e palcos.
Como educadora, desenvolve atividades formativas e projetos de caráter social, atuando como professora e oficineira em territórios periféricos, polos comunitários e cidades do interior do RS, com experiências em municípios como Teutônia e Westfália.
É idealizadora do projeto "Vida de Flautista", contemplado no Edital Banrisul nos anos de 2024, 2025 e 2026 e hoje consolidado como um programa de ações culturais que integra música, formação de público e protagonismo feminino, aproximando a música instrumental de novos públicos e utilizando a arte como ferramenta de transformação social.
Ela também foi selecionada no Edital PNAB RS (Ciclo I) com o projeto "Sonhos em Cena – Protagonismo e Diversidade na Vida de Flautista" (voltado à realização de oficinas musicais em áreas periféricas) e no edital de mobilidade internacional no Chile com o projeto “Turnê Notas Tropicais”. Teve ainda projetos aprovados na Virada Sustentável e no Sesc Cultura Convida Brasil.

