Mais de mil estudos e desenhos de um dos principais artistas do Rio Grande do Sul estarão expostos a partir das 14h deste sábado (18) na Fundação Iberê, em Porto Alegre. Será a maior exposição em número de obras de Iberê Camargo (1914–1994), incluindo raridades de quando ele era menino.
Com curadoria da paulistana Carmela Gross, a mostra Iberê Camargo – quem sabe, o tempo... reúne 1.091 trabalhos de diferentes momentos da trajetória do autor.
Entre eles, estão nove desenhos produzidos entre 1927 e 1928, período em que o criador tinha apenas 13 e 14 anos de idade (veja acima). Acompanhei a montagem e fiquei impressionada com a quantidade de material.
O maior desafio da curadoria, segundo Carmela, foi justamente lidar com a produção volumosa do desenhista Iberê, faceta pouco conhecida do homem celebrado como pintor.
Isso faz da exposição ainda mais especial. Outro ponto a destacar: os desenhos só existem porque, certa vez, a mãe de Maria Coussirat Camargo, esposa de Iberê, sugeriu que ela guardasse tudo o que o marido criasse.
Resultado: há cerca de 4 mil desenhos resguardados na instituição, que preserva não apenas as obras, mas também a memória do processo criativo do artista. Durante um ano, Carmela e a assistente Carolina Caliento mergulharam nesse universo para definir quais peças seriam exibidas.

— É um mar de imagens, uma avalanche. A escolha não foi por tema, nem por fase. Foi pelo sentimento, ao acaso, porque a vida é uma festa de acasos. Fiz questão, inclusive, de deixar os desenhos mais bem acabados de fora, porque se aproximam muito da pintura de Iberê. Busquei o efêmero, as anotações distraídas sobre um papel qualquer, os rabiscos, as rasuras, os restos, os excessos. Ali tem uma pulsação muito intensa e imprevisível — reflete Carmela, que veio a Porto Alegre para participar da inauguração.
Depois de definidas as peças do quebra-cabeças, a curadora teve outra missão desafiadora: criar o projeto de montagem da exposição, que ficará no quarto andar da fundação até 28 de março de 2027.
Os desenhos são apresentados em 93 pranchas de vidro de 1m20cm de comprimento por 80 centímetros de altura, compondo, no interior de cada plano, um mosaico de peças irregulares ou, como diz Carmela, "um ir e vir de perguntas sem respostas".
A curadora

Carmela Gross (São Paulo, 1946) é artista visual, pesquisadora e professora brasileira.
Sua produção reúne desenhos, gravuras, instalações e intervenções urbanas.
Participou de importantes exposições no Brasil e no exterior, e é reconhecida por obras que investigam o espaço público, a linguagem e a experiência urbana contemporânea.
Serviço

- O quê: exposição Iberê Camargo: quem sabe, o tempo...
- Onde: Fundação Iberê (Avenida Padre Cacique, 2000 – Cristal)
- Abertura: 18 de abril | Sábado | 14h
- Visitação: até 28 de março de 2027, de quinta a domingo, das 14h às 18h (última entrada)
- Ingressos: à venda no local, a partir de R$ 10; às quintas-feiras, a entrada é gratuita; será de graça também no dia da abertura, 18 de abril



