A cara do Jardim Lutzenberger, o oásis urbano no quinto andar da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, está diferente. As famosas banheiras repletas de plantas de banhado agora ornamentam um dos corredores do edifício. É por uma boa causa: está em andamento a reforma do espaço.
Os trabalhos começaram em janeiro, com a retirada de todos os vasos, em sua maioria recheados de cactáceas e suculentas — as preferidas do saudoso ambientalista gaúcho. O local também resguarda frutíferas, bromélias, orquídeas, cicas e até mudas de café e pau-Brasil. São cerca de 200 exemplares e uma centena de espécies, a maior parte nativa do Rio Grande do Sul.
Depois de realocar as estrelas do antigo terraço e de fechá-lo à visitação pública, as equipes deram início à obra em si.
Os serviços incluem a substituição de lajotas danificadas, avaliação e recomposição do contrapiso com nova base, impermeabilização (havia infiltrações prejudicando o prédio), ajustes no sistema de escoamento de água, pintura, reinstalação dos elementos do jardim e a montagem de guarda-corpo com acessibilidade.
O objetivo é melhorar as condições de uso, de segurança e de conservação desse patrimônio porto-alegrense. A previsão, segundo Ana Cristina Steffen, gestora cultural do complexo cultural, é de que esteja tudo pronto em junho deste ano.
Em tempo: o jardim, com suas plantas e mobiliário, é mantido por meio de uma parceria da Fundação Gaia com a Casa de Cultura e se viabiliza graças ao apoio financeiro da Stihl.
Duas décadas
O espaço completa 23 anos em 2026. Nasceu um ano depois da morte de Lutz, que inaugurou o debate ecológico no Brasil da década de 1970.
Com o aval de suas filhas, as biólogas Lilly e Lara Lutzenberger, a iniciativa partiu da jornalista Mary Mezzari (falecida em 2015), da Casa de Cultura (à época sob a direção de Julio Conte) e de Elisabeth Renck junto à Fundação Gaia. A concepção foi do agrônomo e paisagista Paulo Backes, e o projeto das pérgolas, de Mauro Fuke.
Desde então, o local segue em contínua evolução. O curioso é que, entre crassuláceas, costelas-de-adão e tillandsias, brilha o verde vivo do que o senso comum costuma chamar de “inço”. Lutz daria risada. O que para alguns é “praga”, para outros é vida.
Que o Jardim Lutzenberger retorne ainda mais vivo do que nunca.


