Eles são um casal apaixonado e amam vinhos italianos. Juntos, os gaúchos Cláudio Taffarel, goleiraço tetracampeão, preparador de goleiros da Seleção Brasileira, e Andrea De Angelis Taffarel, jornalista, empresária e sommelière, comandam a Italy Import.
A empresa vende rótulos escolhidos a dedo nas melhores caves da Itália. O negócio, que virou o xodó da família há sete anos, é tocado com a ajuda dos filhos Cláudio André, o Dodo, e Catherine.
Taffarel e Andrea são os entrevistados da semana no Paralelas, que fala um pouco de tudo: dicas de bebidas, enoturismo, empreendedorismo, amor, parceria, bastidores e, claro, um pouquinho de futebol...
O Paralelas tem novos episódios toda sexta-feira ao meio-dia no YouTube de GZH e no Spotify.

Como vocês se conheceram?
Andrea: Sou jornalista de formação. Em março de 1989, fui fazer um trabalho para o jornal da PUCRS, no último ano da faculdade. O professor sugeriu que eu fizesse uma entrevista com um goleiro, do Inter ou do Grêmio. Como sou coloradíssima, eu disse: "Vou atrás do Taffarel!" Fui lá, fiz a entrevista com o rapaz, e nós nos conhecemos.
E aí?
Andrea: Depois ele me ligou e disse que queria fazer uma entrevista comigo (risos).
Vocês tinham 20 e poucos anos?
Andrea: Eu tinha 20, e o Cláudio, 22.
Te apaixonou, Taffarel?
Taffarel: Até agora, né? Continuamos essa história. A Andrea tem me ajudado muito, em todos os sentidos, sempre muito presente, desde o início.
És um cara família?
Taffarel: Sou. Gosto, sempre gostei. Esse mundo do futebol, pelas viagens e pelos compromissos, te afasta muito da tua casa, da tua família. Mas, quando tu estás em casa, tens de estar ali, com a família, e não fazendo outras coisas.
Andrea: Tanto é que as crianças, nas segundas-feiras, geralmente não iam à escola, para a gente ficar juntos.
E tu sempre foste discreto, tranquilo com a imagem. Hoje temos tantos jogadores que mais parecem astros e popstars. É outra geração, né?
Hoje, o jogador entendeu que esse lado conta bastante. Eu ainda sou daquela geração antiga. Um tempo atrás eu até dava bastante entrevista, mas agora estou querendo parar um pouco, parar no sentido de já contei várias vezes a minha história, sabe? Achei legal participar desse bate-papo aqui, porque vamos falar de outras coisas.
Como começou essa relação de vocês com o vinho?
Taffarel: Acho que o vinho entrou na nossa vida a partir do momento que pisamos na Itália, porque, quando ainda estávamos no Brasil, nos anos 1990, bebíamos Kip Cooler.
E saíram do Kip Cooler para o vinho italiano?
Taffarel: A Itália tem uma relação com o vinho, como temos com a água. Para eles, qualquer coisa já botavam um vinho. Na concentração, no sábado à noite, para jogar domingo, eles botavam duas garrafas de vinho na mesa, para toda a delegação, e cada um se servia, mas só para sentir. Eu acha muito estranha, porque não bebia, mas a gente estava em Parma, e Parma tem o Lambrusco, a Malvasia...
Andrea: Que são vinhos mais leves e frisantes.
São vinhos mais fáceis de beber?
Taffarel: Quase doces. Aliás, a gente começou com os doces.
Andrea: E todo mundo ria de nós, porque era vinho de sobremesa (risos). Aí fomos evoluindo, depois quando o Taffarel foi para o Galatasaray (time da Turquia). Aí, quando voltamos para a Itália, começamos a visitar produtores. Acho que essa é a parte mais encantadora. A gente já tinha os filhos, a Catherina e o Dodo com uns 10 anos, 11 anos, e levava eles junto.
Era um momento que o enoturismo ainda estava nascendo?
Andrea: Sim, a gente viajava com o mapa na mão. Não tinha nem placa.
Taffarel: Começamos pela Toscana.
Andrea: Tanto que, quando a gente abriu a importadora, começou também com vinhos da Toscana, porque era onde a gente tinha o maior relacionamento com produtores.
São quantos produtores parceiros?
Andrea: São 16, do norte, do sul e do centro da Itália.
Quantas garrafas ano que vocês movimentam?
Andrea: Em 2025, a gente importou em torno de 12 mil garrafas.
Qual é o vinho mais caro do catálogo?
Andrea: É o Brunello Poggio di Sotto, da Toscana, que no nosso site está a R$ 3,6 mil.
Os vinhos de vocês estão em grandes restaurantes brasileiros, né?
Andrea: Sim, começamos em São Paulo. Tuju, Fame, Picchi, Hotel Emiliano, Hotel Rosewood...
Quem quiser tomar um vinho do Taffarel em Porto Alegre, como faz?
Andrea: Bah, mas olha só, aí é só ir no Chica Parrilla, no Bottega Maria, no Mesa, no Rancho, no Prego, no Benjamin, no Mama Gemma. A gente está por aí, em Gramado, também, no Casa da Montanha, no Wood.
Carlo Ancelotti, o italiano técnico da seleção brasileira já comprou vinho do Taffarel?
Taffarel: Dei uma caixa para ele e "ah, legal, obrigado". Depois, passou um tempo, e eu falei: "não é 0800, viu?" (risos), mas ele é acostumado que o pessoal dá muito presente.
É mão fechada?
Taffarel: Mão fechada, é um parmigiano (risos), mas é um cara muito legal.
Será que o hexa vem regado a vinho?
Taffarel: Bah, poderia, hein? Eu acho que vou ter de levar uns vinhos para dar uma chamada na gurizada.
Mas dá para tomar vinho na concentração?
Taffarel: É, a gente não toma, mas no pós-jogo, quando tem uma folga, aí, sim, tá liberado.
Quem sabe para celebrar uma vitória?
Taffarel: Lógico. Eu acho que vai ter, sim, vai ter vitória, jogos importantes. Se a gente falar hoje: a Seleção vai ganhar a Copa? Não, não vai ganhar. Mas o importante não é hoje, é como vai estar na Copa. Não adianta tu estar bem agora, jogando, ganhando de todo mundo, aí chega lá, toma um gol contra e volta para casa. Então, o foco tem de ser durante a Copa. Lógico, a preparação, o estudo, a análise dos jogadores, o acompanhamento, tudo isso é essencial, mas o importante mesmo é: começou a Copa do Mundo, aí sim, aí é fechar, é unir, é dar o melhor de cada um, é sem vaidade. Em 1994, foi assim. As eliminatórias foram horríveis. A gente saiu daqui desacreditado, mas chegou lá nos Estados Unidos e, sabe quando tu sente que, bah, “é a nossa vez”?
Tu estás otimista?
Taffarel: Eu tô otimista.
Que vinhos tu vai levar?
Taffarel: Tem de ser potente... Quem sabe um Potenti?
Andrea: É um cabernet sauvignon que a gente tem (da vinícola Petra, na Toscana).



