Neste Dia Internacional da Mulher, 8 de março, a coluna destaca uma história inspiradora. Natural de Porto Alegre, filha de pais peruanos e neta de imigrantes japoneses, a cirurgiã torácica Maria Teresa Tsukazan Schwarz é a primeira mulher a liderar um programa de cirurgia robótica no Rio Grande do Sul.
À frente da área no Hospital São Lucas da PUCRS, que completa cinco décadas de atuação, a médica coordenou em janeiro deste ano o primeiro procedimento do tipo realizado na instituição.
Como muitas de nós, Maria Teresa teve, dentro de casa, uma vida inspirada pela força feminina na educação e na ciência. Sua mãe recebeu bolsa e foi doutora pela Brown University (Ivy League) nos Estados Unidos na década de 70, retornando ao Peru como primeira mulher doutora na Escola de Engenharia daquele país — foi, para a filha, um modelo de protagonismo e liderança, uma inspiração.
Maria Teresa agora também é exemplo.
Depois de se formar em Medicina pela PUCRS e de concluir a residência em Cirurgia Geral, ela iniciou, em 2008, a especialização em Cirurgia Torácica no próprio Hospital São Lucas — uma área ainda predominantemente masculina e com poucas referências femininas em posições de liderança.
Esse cenário a motivou a ultrapassar fronteiras. Em 2012, a médica foi para Nova York, nos Estados Unidos, onde ingressou no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, centro de referência mundial em oncologia.
Lá, ela trabalhou com a cirurgiã torácica Valerie Rusch, uma das primeiras mulheres certificadas na especialidade nos Estados Unidos (referência global em cirurgia robótica e ex-presidente do Colégio Americano de Cirurgiões). A experiência internacional e o contato com uma liderança feminina consolidada tornaram-se marcos em sua trajetória profissional.
Desde então, há 15 anos, Maria Teresa atua como cirurgiã torácica no Hospital São Lucas da PUCRS e, desde 2021, é chefe do Serviço de Cirurgia Torácica. Em sua cidade natal, tornou-se referência para residentes e estudantes de Medicina, que hoje encontram, no próprio hospital, uma liderança feminina consolidada, sem a necessidade de buscar representatividade fora do país.
Desafios
O cenário da especialidade ainda revela desafios. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica indicam que, entre os 375 membros titulares, 338 são homens e apenas 37 são mulheres.






