Eles mostraram, no palco, que o oceano não nos separa — a nós, portugueses e brasileiros. Ele nos une. Na estreia nacional de complexo b, que tem nova sessão neste domingo (1º), em Porto Alegre (leia os detalhes no fim do texto), Adriana Calcanhotto, José Miguel Wisnik (pianista) e João Camarero (violonista) ocuparam o Teatro Simões Lopes Neto com música, literatura e poesia lusófonas.
Foi mais do que um show: foi uma aula-espetáculo, unindo o que poderia parecer impossível, de Antonio Cicero (autor de Fulgás e tantos outros hits) a Gregório de Matos (poeta barroco do Brasil seiscentista), de Caetano Veloso (com sua tropicália) aos Lusíadas, de Luís de Camões, no longínquo 1572.
Sob os holofotes do Multipalco, passaram ainda Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Toquinho, Baden Powell, Gonçalves Dias (com a Canção do Exílio, recitada por Adriana) e tantos outros poetas, de cá e de lá. Entre as canções, o molho: explicações, acordes e confissões desses três grandes artistas.
Foi um epílogo de luxo para o 32º Porto Alegre em Cena, que volta com tudo em setembro.
Até então, complexo b havia sido apresentado apenas em Lisboa, Portugal, em novembro de 2025, a partir de um convite da Fundação Calouste Gulbenkian.
— A gente queria muito trazer esse espetáculo para o Brasil e foi incrível poder fazer isso aqui, em Porto Alegre — disse Adriana, logo após o show, no camarim, onde recebeu amigos gaúchos e a mãe, Morgada Cunha, 92 anos, que chamou a artista de "meu bebê".
À frente do Em Cena, Luciano Alabarse resumiu tudo: foi "biscoito fino". Finíssimo.
Serviço

- O quê: complexo b com Adriana Calcanhotto, José Miguel Wisnik e João Camarero
- Quando: ainda tem sessão neste domingo, 1º de março, às 18h
- Onde: no Teatro Simões Lopes Neto, no Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1089 - Centro Histórico, Porto Alegre)
- Ingressos: no site do Theatro São Pedro (clicando aqui)
O repertório
- Prelúdio opus n. 4 (Chopin)/ Insensatez (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes)
- Canção de Siruiz (Guimarães Rosa)/ A terceira margem do rio (Milton Nascimento/ Caetano Veloso)
- Nada (Adriana Calcanhotto sobre poema de Antonio Cicero) / Mortal loucura (sobre poema de Gregório de Matos, com inserção de Se nada fiz na jornada, poema de Zé Bernardino)
- Tão pequeno (Caetano Veloso sobre poema de Luís de Camões) / Os Ilhéus (José Miguel Wisnik sobre poema de Antonio Cicero)
- O Outro (Adriana Calcanhotto sobre poema de Mário de Sá Carneiro)
- Clarice Lispector (Adriana Calcanhotto sobre poema de Adília Lopes)
- Poética do eremita (Adriana Calcanhotto sobre poema de Fiama Hasse Pais Brandão)
- Canção do exílio (Gonçalves Dias)
- Corre o mundo (Adriana Calcanhotto)
- Sim, sei bem (José Miguel Wisnik sobre poema de Ricardo Reis)
- Segue o teu destino (Sueli Costa sobre poema de Ricardo Reis)
- Noite de S. João (Fred Martins sobre poema de Ricardo Reis)
- Tarde em Itapuã (Toquinho/ Vinicius de Moraes)
- Afro-sambas (Baden Powell/ Vinicius de Moraes)
- Canto de Ossanha/ Berimbau/ Consolação
- João (Cézar Mendes/ Arnaldo Antunes)
- Parangolé Pamplona (Adriana Calcanhotto)
- Terra Estrangeira (José Miguel Wisnik)
- Chega de saudade (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes)
Quem faz
O 32º Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas, neste epílogo, é apresentado por Ministério da Cultura, Secretaria de Estado da Cultura e prefeitura de Porto Alegre, via Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio do Itaú e gestão cultural da Primeira Fila Produções.
O festival é realizado pela prefeitura e pelo Ministério da Cultura.



