Eleita a quarta melhor vinícola do mundo pelo badalado ranking World’s Best Vineyards (atrás apenas das chilenas Montes e Vik e da argentina Catena Zapata), a Bodega Garzón alçou o Uruguai a destino enoturístico internacional.
São 40 mil visitantes por ano, incluindo um time estrelado de celebridades e bilionários (de Lionel Messi a Jeff Bezos), que chegam de helicóptero.
Não é pouco para um empreendimento relativamente novo (do início dos anos 2000), instalado no Interior (a cerca de 70 quilômetros de Punta del Este).
Estive lá a convite do Ministério do Turismo do país e entendi o motivo da euforia. É tudo o que a gente ouve falar, e o mais interessante: não é só para enólogos, sommeliers e especialistas. Vale pelo passeio.
A experiência começa no caminho, serpenteando campos a perder de vista (a paisagem lembra a nossa Campanha, e parte do trajeto é em estrada de chão de boa qualidade).
Na chegada, de cara, você se surpreende com a tranquilidade do lugar (só se ouve o som os pássaros) e a arquitetura de vanguarda, misto de rusticidade e sofisticação, com pedra, madeira, luz natural e 7 mil metros quadrados de teto verde. Há janelões de vidro e um deque de onde se vê quilômetros de vinhedos.
O projeto arquitetônica tem a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), sistema internacional de classificação de edificações sustentáveis.
Vinho e gastronomia
Aí vêm o vinho e a gastronomia, dois capítulos à parte.
Lá, são produzidos alguns dos melhores rótulos do mundo. Você pode provar alguns deles numa degustação guiada ou simplesmente bebericar em taças (de cerca de R$ 40 a em torno de R$ 240, dependendo do que escolher), comendo uma empanada.
A outra opção, para bolsos mais aquinhoados, é fazer o menu degustação.
A cozinha é liderada pelo chef argentino Francis Mallmann, nascido na Patagônia e célebre pela “cozinha do fogo (veja o episódio dele na série Chef’s Table, na Netflix, é bem legal).
Ao lado de outros três jornalistas brasileiros convidados, fiz o menu harmonizado com quatro pratos.
A "brincadeira" começa com pães artesanais, azeites próprios e pastinhas especiais de grão de bico e de beringela (que já são de comer de joelhos).
Como entrada, escolhi aspargos da estação com figos frescos, com creme azedo e sementes de girassol. No prato principal, optei pelo peixe do dia (de pescadores de Punta del Leste, do projeto Pacto Oceânico, que valoriza a pesca local). Foi um congrio com batatas.
Como sobremesa, apostei na proposta do dia: sorvete com figos in natura e em conserva.
Gostei de tudo o que comi (e repetiria, se pudesse), sem falar nos vinhos. Provei espumante (Garzón Rosé Brut Nature), vinho branco (Single Vineyard - Albariño 2025) e tinto (Petit Clos - Tannat 2023).
Se você for até lá e tiver condições, não titubeie. O menu que fiz sai por 4.300 pesos uruguaios (cerca de R$ 570 na cotação de 5 de março de 2026), incluindo água e café. As taças são pagas à parte, conforme o que você beber.
Enoturismo

Prefere não gastar com comida? Então foque a visita nas experiências enoturísticas. São diferentes opções, que vão mudando conforme a época do ano.
Tem desde piquenique e caminhada pelos parreirais até aula de cozinha e degustações de diferentes tipos. Você pode ver tudo isso em detalhes (inclusive com os preços e as reservas) no site oficial da bodega, clicando aqui.
Outra alternativa é usar a plataforma Wine Locals (criada e mantida por gaúchos), que tem mais de 300 vinícolas parceiras, entre elas a Garzón. A vantagem é que ali está tudo em português e a cobrança é em reais. É só clicar aqui para ver as opções que eles oferecem (não têm todas as que você encontra no site da bodega, mas tem as mais "pop").
Na visita que fiz, como estava em um grupo de jornalistas, fomos levados a conhecer um pouco da vinícola em um "recorrido" sob medida.
A cave é uma atração e tanto, porque fica no subsolo, rodeada de pedras e iluminada com a luz que entra pelas frestas desde a superfície (dá uma espiada nas fotos). Se você curte arquitetura, é imperdível.
É interessante, também, percorrer o circuito para ver as tulipas de concreto e as barricas de vinho e conhecer um pouco do processo de produção.
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