A temporada 2026 da Companhia de Ópera do Rio Grande do Sul (Cors) começa no fim de março, no Teatro Simões Lopes Neto, em Porto Alegre, em grande estilo: com La Traviata, um clássico de Giuseppe Verdi (1813-1901). Os ingressos já estão à venda (leia mais no fim do texto).
Considerada a peça mais célebre do repertório operístico, a montagem é campeã em número de encenações no mundo, 173 anos depois da estreia, em Veneza, na Itália.
Por aqui, o público pode esperar uma superprodução, com um timaço de solistas, a Orquestra Theatro São Pedro, o Coro Lírico da Cors (com 30 integrantes) e os bailarinos da Plural Cia de Dança.
A apresentação, promovida pela Secretaria de Estado da Cultura em parceria com a Cors, será nos dias 28, 29, 30 e 31 (sábado, domingo, segunda e terça), com concepção e direção cênica de Flávio Leite, que celebra 25 anos de carreira (iniciada com a mesma ópera em 2001), e direção musical e regência de Marcelo de Jesus (de São Paulo).
No palco, as sopranos Ludmilla Bauerfeldt (do Rio de Janeiro) e Elisa Machado (do RS) viverão a cortesã Violetta Valéry. Ao lado delas, os tenores Giovanni Tristacci (RS) e Felipe Bertol (RS) interpretarão Alfredo Germont e os barítonos Lício Bruno (RJ) e Roger Bueno (RS) darão vida a Giorgio Germont.
João Ferreira Filho, Adolfo Amaral e Xavier Quiñonez (tenores), Oritz Campos, Robert Willian e Vinícius Braga (barítonos), Cristine Guse e Carol Braga (mezzo-sopranos) e o baixo Bruno Mezzomo completam o grupo de solistas.
Sobre "La Traviata"
É uma ópera em três atos, baseada no clássico da literatura francesa A Dama das Camélias.
O livro foi escrito em 1848 por Alexandre Dumas Filho a partir de uma experiência autobiográfica do autor, que se envolveu com a cortesã Marie (Alphonsine) Duplessis, nascida há exatos 200 anos.
A narrativa conta a história de Armand Duval, um jovem estudante de direito de Paris na metade do século 19. Tímido e originário de uma família burguesa interiorana, o jovem apaixona-se por Marguerite Gautier, a mais cobiçada cortesã dos salões e teatros da capital francesa.
Os dois apaixonam-se, e a vida da protagonista é transformada pela força desse amor improvável que acaba levando-a a um destino trágico.
Com o nome de La Traviata, a ópera estreou no dia 6 de março de 1853, em uma parceria de Verdi com o libretista Francesco Maria Piave.
A estreia foi um fiasco.
O público que compareceu ao Teatro La Fenice, em Veneza (Itália), vaiou a criação de Verdi. Até a soprano Fanny Salvini-Donatelli (1815-1891), que interpretou a protagonista Violetta Valéry foi duramente criticada.
Embora ela já fosse então uma cantora aclamada, espectadores zombaram de sua atuação e a consideraram muito velha (aos 38 anos!) e muito acima do peso para interpretar uma jovem que morre de tuberculose.
Verdi proibiu todas as demais apresentações em 1853 e, em 1854, reapresentou a obra com um elenco de sua escolha, com sucesso imediato, nunca mais saindo do repertório e consagrando o nome do autor internacionalmente.
A obra gira em torno de Violetta, que abandona a vida de cortesã em Paris para viver uma relação amorosa com o burguês Alfredo Germont.
Feliz com a possibilidade de amar e ser amada, ela vende seus bens para sustentar a vida do casal no campo até que recebe a visita de Giorgio Germont, pai de Alfredo, pedindo que abandone seu filho porque o envolvimento dos dois destruiria a reputação de sua família e impediria que sua filha mais jovem se casasse.
Ela termina o relacionamento e é humilhada por Alfredo em uma festa na mesma noite. Quando Germont conta a Alfredo o real motivo da separação do casal, ambos se arrependem e vão pedir perdão à Violetta, mas já é tarde: tomada pela tuberculose e empobrecida, ela morre.
— Faz 25 anos que Porto Alegre não vê uma Traviata. A última foi em 2001, quando estreei no palco como solista em uma produção do então Instituto de Cultura Musical da PUCRS. La Traviata é sempre atual, pois trata basicamente de misoginia e preconceito, e o seu antídoto que é a compaixão, tudo isso embalado por uma música arrebatadora — destaca Flávio Leite.
O autor
Giuseppe Fortunino Francesco Verdi, um dos compositores mais influentes do século 19, quase desistiu de começar. Quando trabalhava na sua segunda ópera, Un Giorno di Regno, sua esposa faleceu. Abalado pela morte e pelo fracasso da estreia, prometeu (e não cumpriu) que jamais voltaria a compor. Escreveu mais 14 óperas e ganhou projeção internacional incomparável.
Serviço
O quê: La Traviata, apresentada por Secretaria de Estado da Cultura e Companhia de Ópera do RS
Quando: 28 a 31 de março
Horários: dias 28, 30 e 31 de março às 20h, e dia 29 de março às 18h
Onde: Teatro Simões Lopes Neto (Rua Riachuelo, 1089 – Centro Histórico)
Ficha Técnica
- Concepção e direção cênica: Flávio Leite
- Direção musical e regência: Marcelo de Jesus
- Maestro do Coro Lírico da CORS: Sérgio Sisto
- Cenário: Eduardo Menna
- Figurino: Daniel Lion
- Iluminação: Veridiana Mendes
- Violetta: Ludmilla Bauerfeldt (28 e 30/03) e Elisa Machado (29 e 31/03)
- Alfredo: Giovanni Tristacci (28 e 30/03) e Felipe Bertol (29 e 31/03)
- Giorgio Germont: Lício Bruno (28 e 30/03) e Roger Bueno (29 e 31/03)
- Flora: Cristine Guse
- Annina: Carol Braga
- Gastone: João Ferreira Filho
- Barão: Oritz Campos, barítono
- Marquês: Robert Willian, barítono
- Dr. Grenvil: Bruno Mezzomo
- Giuseppe: Adolfo Amaral
- Funcionário Flora: Xavier Quiñonez
- Comissário: Vinícius Braga




