Depois de receber uma das mais importantes condecorações do Reino Unido das mãos do Príncipe William, no Castelo de Windsor, em 2025, a cantora gaúcha Gabriella Di Laccio volta aos holofotes internacionais.
Nascida em Canoas e radicada em Londres há 25 anos, a soprano venceu o TEDxLondon. Com isso, em abril, ela subirá ao palco global do TED 2026, no Canadá.
A saber: é um dos eventos mais influentes do mundo para ideias.
No placo que já recebeu nomes como Bono Vox e que este ano também terá a presença de Malala Yousafzai, Gabriella planeja falar sobre a necessidade de ampliar a presença de mulheres compositoras no meio musical.
Mais do que isso, ela chamará a atenção para um problema urgente: o fato de que a inteligência artificial está sendo treinada a partir de uma história da música que excluiu essas vozes.
Foi assim que Gabriella venceu a edição do TED de Londres. Por meio de pesquisas, ela descobriu que milhares de mulheres compositoras foram sistematicamente excluídas dos repertórios, dos livros e dos registos oficiais.
Hoje, esse apagamento tem um novo impacto — a IA, que já começa a compor, recomendar e ensinar música, parte de uma base falha.
— Nosso arquivo musical está incompleto. Falta metade da criatividade da humanidade. Se não corrigirmos isso agora, a inteligência artificial vai continuar aprendendo e criando a partir dessas ausências — alerta Gabriella.
Por meio da Donne Foundation, organização que a cantora fundou no Reino Unido, ela tem trabalhado para recuperar e dar visibilidade a obras de mulheres compositoras de diferentes épocas e países.
Ao levar essa discussão ao palco do TED no Canadá, Gabriella não pretende apenas contar uma história esquecida, mas ajudar a reescrever o futuro da música.
— O que escolhemos ouvir molda o que lembramos e também o que ainda é possível criar — diz.
Em um momento em que a tecnologia redefine os limites da criatividade, uma artista brasileira apresenta uma pergunta essencial: quem está sendo deixado de fora e até quando?
Parcerias e recorde
Sob a liderança de Gabriella, a Donne Foundation firmou parcerias com instituições como a Royal Albert Hall, Apple Music, Scala Radio e Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Em 2024, ela idealizou, liderou e cantou no projeto Let HER MUSIC Play, um concerto transmitido ao vivo por mais de 26 horas ininterruptas e inteiramente dedicado a compositoras mulheres e pessoas não binárias — um feito histórico que entrou para o Guinness World Record.




